MEU LIVRO DA SEMANA - 30
- Carlos A. Buckmann
- 26 de mar. de 2023
- 2 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 30
DISCURSO SOBRE A ORIGEM E OS FUNDAMENTOS DA DESIGUALDADE ENTRE OS HOMENS – (Jean-Jacques Rousseau)
Com a publicação do meu comentário na semana passada sobre O Contrato Social, recebi de um leitor/seguidor, a solicitação de comentar mais sobre as obras de Rousseau. Então aqui vai uma pequena análise sobre “O Discurso.”
Esse livro foi publicado no ano de 1755, portanto, anteriormente ao “Contrato Social” e que, ao lê-lo, temos a certeza de que este deu origem àquele, pois aqui Rousseau não indica soluções para a desigualdade, mas procura identificar a natureza do problema. Com certeza, essa foi uma das obras que mais influenciou o pensamento e o movimento que levou à Revolução Francesa que culminou com o fim do reinado de Luiz XVI e a instalação da Primeira República, como também serviu de inspiração para outros pensadores como Proudhon, Marx, Engels e Heidegger.
Vou deixar de lado, comentários sobre o início da obra com a dedicatória à República de Genebra e de sua análise sobre as paixões que movem os homens e parto logo para o cerne de seu discurso, que é o problema da desigualdade entre os homens.
- “...a educação não apenas cria diferença entre os espíritos cultivados e os que não o são, mas também aumenta a que existe entre os primeiros na proporção da cultura.”
Naquela época, estamos falando do século XVIII, tanto como agora, a educação e a cultura são princípios básicos para se entender e se manter, por que não? as diferenças cada vez mais gritantes em todos os países em que ela não é levada a sério. E quando não temos educação, que aprimora a inteligência e o espírito crítico, a desigualdade se acentua, dando às elites e aos mais espertos, a força para manipular e explorar as massas.
-“O primeiro que, ao cercar um terreno, teve a audácia de dizer “isso é meu” e encontrou gente bastante simples para acreditar nele foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.”
E então esse experto, aproveitando a ingenuidade dos que nele acreditaram, começou a explorar a mão-de-obra destes:
- “A medida que o gênero humano se ampliou, os trabalhos se multiplicaram com os homens.”
Sua constatação dessa desproporcionalidade entre o possuir e o ter que trabalhar para o possuidor ele demonstra ao citar Locke: - “...não poderia haver injúria onde não há propriedade.”
Como escrevi acima, Rousseau não apresenta nenhuma alternativa para acabar com a desigualdade, apenas faz as constatações, que mais tarde o levariam a publicar O Contrato Social. Nessa obra, apenas a abordagem dos fatos que constata.
-“Foi assim, cada um punindo o desprezo que lhe mostravam de uma maneira proporcional à importância que fazia de si mesmo, que as vinganças se tornaram terríveis, e os homens, sanguinários e cruéis.”
Na constatação do crescimento inexorável da economia, sentencia:
- !...foram o ferro e o trigo que civilizaram os homens e puseram a perder o gênero humano.”
Ao ler essa obra escrita em 1755, poderíamos, sem saber a data da sua publicação nem seu autor, pensar que é um filósofo atual analisando os dias de hoje.
Confesso que vale a pena a sua leitura e sempre a releitura. É uma obra atemporal.
Boa leitura.
NH, 26/03/2022.
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