MEU LIVRO DA SEMANA
- Carlos A. Buckmann
- 10 de set. de 2022
- 2 min de leitura

ORIGENS DO TOTALITARISMO (HANNAH ARENDT)
Origens do totalitarismo de Hannah Arendt (1906/1975), não é um livro fácil de ler, mas é imprescindível que se leia. Publicado seis anos após a segunda guerra mundial, em 1951, é um relato histórico do imperialismo colonial europeu do século XX, que nos faz pensar no momento histórico que estamos passando, não só no Brasil como no mundo todo, onde as forças chamadas liberais, manipulam e distorcem as verdades, na busca do domínio econômico, agarradas ao poder, como nos mostra neste texto: – “A ralé é fundamentalmente um grupo no qual são representados resíduos de todas as classes. É isso que torna tão fácil confundir a ralé com o povo, o qual também compreende todas as camadas sociais. Enquanto o povo, em todas as grandes revoluções, luta por um sistema realmente representativo, a ralé brada sempre pelo “homem forte” pelo “grande líder.”” (pg. 159). – Ao falar em grandes revoluções, não está se referindo a luta armada e fraticida, mas sim nas revoluções de mudanças de rumos, na busca de melhoria coletiva. Essa análise histórico- filosófica, escrita e publicada em 1951, bem poderia ter sido escrita ontem, ou mesmo hoje, tanto no Brasil, como na Rússia ou nos EUA. Não importa o local nem o tempo, a história e a realidade se confundem.
Hannah, além de filósofa, foi uma brilhante pesquisadora da história e neste livro nos mostra a transformação de classes em massas de manobra, onde o capital se alia e subjuga o poder político do Estado-nação.
O livro tem um texto histórico complexo, como eu disse, de leitura não muito fácil em suas 825 páginas, mas merece ser lido e relido, (como estou fazendo agora) nos contextualizando no tempo e no espaço, trazendo toda a crueza histórica das origens do totalitarismo.
Hannah era judia e, como tal, sofreu na carne os horrores do nazismo e suas consequências para a humanidade mas, mesmo assim, nos traz um retrato lúcido da história que se replica em nossos dias. –“Só quando ficou patente que o Estado-nação não se prestava como estrutura para maior crescimento da economia capitalista, a luta latente entre o Estado e a burguesia se transformou em luta aberta pelo poder.” (pg. 190) – Eis a luta atemporal para nos fazer refletir.
Para quem se interessa por economia, política, história ou filosofia, meu conselho: esse é um livro imprescindível para uma profunda reflexão. Agora se você quer leitura fácil, busque qualquer obra melosa de Paulo Coelho ou José Mauro de Vasconcelos, mas não perca o hábito da leitura. Sempre se aproveita alguma coisa.
NH 10.09.2022




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