MEU LIVRO DA SEMANA - 101
- Carlos A. Buckmann
- 28 de jul. de 2024
- 4 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 101
ULYSSES - (James Joyce)
Esse é um livro que me traz gratas recordações da minha juventude. Meu primeiro contato com ele foi lá pelo início dos anos 60 do século passado, quando eu cursava o então chamado curso ginasial. Meu professor de português (ótimo professor) era um apaixonado por literatura e nos incentivava a ler e a fazer análise das obras lidas. Em um desses momentos nos pediu para fazer um trabalho “em grupo” para ler e analisar ULYSSES. Para nosso grupo foi assustador, pois é um livro com 1.050 páginas. Meus colegas de grupo, como se dizia na época, “arrepiaram”. Eu, ”metido a besta” me “atraquei na leitura” que tinha o prazo de um mês para ler e fazer o resumo, para então criar as “transparências” para a apresentação no “retroprojetor”. Não sabe o que é? Vai no Google e descobre. - O resto dessa história, eu conto em outra oportunidade. Agora estou relendo ULYSSES.
Nascido em Dublin, Irlanda, em 1882, James Joyce vivenciou uma juventude marcada pela pobreza e pelo declínio da família.
Frequentou renomadas instituições de ensino, como o University College Dublin, onde mergulhou nos estudos de línguas e literatura. Joyce se exilou voluntariamente aos 20 anos, vivendo em cidades como Paris, Trieste e Zurique, buscando escapar do sufocante ambiente social e cultural da Irlanda. Faleceu em Zurique em 1941, deixando um legado literário considerado um dos mais importantes do século XX. A peregrinação de Joyce por diversas cidades europeias influenciou profundamente sua obra, expondo-o a diferentes culturas e perspectivas. Absorveu elementos do simbolismo, do naturalismo e do modernismo, tecendo-os em um estilo único e inovador. Apesar de não se identificar com rótulos ideológicos específicos, sua obra apresenta traços de estoicismo, ao explorar a capacidade humana de suportar o sofrimento, e do anarquismo, na crítica sutil às instituições sociais.
ULYSSES o livro: é um romance modernista que adapta a “Odisseia” de Homero (a saga do herói) vivido por ULISSES ou ODISSEU, no original grego, onde a narrativa se desenrola ao longo de 18 horas em 16 de junho de 1904, na cidade de Dublin. O protagonista, Leopold Bloom, é um judeu irlandês e uma figura complexa que representa a humanidade em toda a sua diversidade. Ele percorre a cidade, encontrando personagens variados e enfrentando desafios cotidianos. A estrutura do livro é inovadora, usando a técnica de fluxo de consciência para mergulhar profundamente nos pensamentos e percepções dos personagens, onde Joyce também incorpora referências literárias, mitológicas e históricas.
O cenário de Dublin em 1904 serve como um microcosmo da experiência humana, abordando questões como identidade, sexualidade, religião e política.
A obra é uma exploração profunda da condição humana, com Leopold Bloom como um “Ulysses moderno”, enfrentando suas próprias provações e desafios enquanto busca conexão e significado.
“Ulysses” é repleto de passagens marcantes, como o famoso monólogo interior de Molly Bloom no final do livro, que celebra a sexualidade e a vida. Ele se estende por várias páginas, sem pontuação, (técnica que anos mais tarde foi empregada por Clarice Lispector em suas obras) e é um fluxo de consciência puro, revelando os pensamentos mais íntimos e sensuais da personagem:
- “Sim porque ele nunca fez nada assim e ele sempre me amou e ele sempre vai amar porque eu sou uma flor da montanha sim quando eu coloquei a rosa no meu cabelo como no dia em que eu a usei quando nós dois éramos tão jovens e tão bonitos.”
- “Sim eu disse sim eu quero Sim”
A linguagem é rica e densa, com Joyce brincando com palavras e sons para criar uma experiência literária única.
O livro foi publicado em 1922, após anos de composição e revisão, durante o período da primeira guerra mundial. Sua ousadia e estilo inovador causaram controvérsia e censura em vários países. Essa obra é um marco na literatura do século XX e continua a ser estudada e admirada por sua complexidade e profundidade.
“Ulysses” é uma jornada literária desafiadora e recompensadora, que nos convida a explorar a mente humana e a condição existencial através dos olhos de Leopold Bloom em um dia comum em Dublin.
A técnica de fluxo de consciência é uma ferramenta literária que busca representar os pensamentos e sentimentos de um personagem de forma contínua e sem interrupções. Ela permite ao leitor entrar na mente do personagem e acompanhar seus pensamentos, associações e reflexões em tempo real.
Essa técnica foi popularizada por escritores como James Joyce e Virginia Woolf. No fluxo de consciência, o leitor experimenta um mergulho profundo nos processos mentais do personagem, sem distinções rígidas entre consciente e inconsciente, realidade e desejo, ou lembranças e situações presentes.
Além do protagonista Leopold Bloom, outros personagens relevantes em “Ulisses” incluem:
Molly Bloom: A esposa de Leopold Bloom. Seu monólogo interior no final do livro é uma das partes mais famosas da obra.
Stephen Dedalus: Um jovem escritor e professor, cuja jornada também é explorada em “Ulisses”. Ele é um alter ego literário de Joyce e apareceu anteriormente no romance “Retrato do Artista Quando Jovem”.
Buck Mulligan: Colega de Stephen Dedalus, ele é um estudante de medicina e divide um relacionamento complexo com Stephen.
Haines: Um amigo de Stephen Dedalus, também estudante de medicina.
Gerty MacDowell: Uma jovem que Bloom observa na praia e que desempenha um papel simbólico na narrativa.
Esses personagens interagem e contribuem para a rica tapeçaria de “Ulysses”, representando diferentes facetas da experiência humana.
James Joyce: O Artista Exilado em Busca da Alma Humana.
VALE A PENA.
Boa leitura.
NH, 29/07/2024
Com essa publicação, encerro esse ciclo de análises literárias que me propus a realizar, como base para um livro a ser publicado:
- “101 LIVROS PARA LER E APRENDER A VIVER”
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