MEU LIVRO DA SEMANA
- Carlos A. Buckmann
- 21 de ago. de 2022
- 2 min de leitura

A FELICIDADE É INÚTIL (Clóvis de Barros Filho)
É um “livrinho” pequeno, só no tamanho, no formato de 10cm. X 13,5 cm. – Mas para por aí a sua pequenez. - No seu conteúdo, a grandiosidade e a intensidade descontraída de todo discurso do professor Clóvis. Uma aula inteira, contagiante, pegajosa (que prende o leitor) de puro estoicismo, não só pela citação dos principais filósofos estoicos, desde Marco Aurélio (121-180 d.C), o imperador romano e de Zenão de Cício (335-264 a.C) o primeiro filósofo e considerado o fundador da doutrina estoica, até seu próprio e atual pensamento e vida estoica.
O livro é intrigante, prende do início ao fim, de capa a contracapa, do título “A FELICIDADE É Inútil “ à advertência da contracapa: “ESSE LIVRO NÃO ENSINA NINGUÉM A SER FELIZ”, portanto não é nenhuma babaquice de autoajuda.
O livro fala de desapego, de saber viver a vida como ela é, (como também nos mostrou Gilberto de Souza numa excelente palestra: “não é do seu jeito, não é no seu tempo, não é justo, não é como você quer. Bem-vindo a Vida!” ), fala da importância do amor:
- “Então, aí vai. Ame. Ame o mundo. Tanto quanto puder. No limite que conseguir. Eis o que estava faltando. Só o amor é positivo.”
Você pode me perguntar o que tem a ver o amor com o estoicismo? - Tudo! Amor é desapego, amor é respeito, amor é aceitação, amor é amar ser imperfeito, o amor é tudo, é como escreveu Santo Agostinho:
“A medida do amor é o amar sem medida.”
Na realidade, o livro não ensina MESMO, ninguém a ser feliz, pois como disse antes, não é um livro de autoajuda, é um livro de filosofia, de filosofia estoica, como a própria vivência do professor Clóvis, no ser feliz com o que a vida nos dá, sem esperar mais nem menos, aceitando e aprendendo lições a cada momento como na sua experiência com a cegueira, onde consegue ser lúdico, consegue ser sarcástico sem revolta contra o erro médico, que foi a ação final que o levou a tal estado:
- “Quanto ao autor, bem, esse só escreveu. Ou melhor, falou gravando no celular. Porque não enxerga. Não Digita. (...) Isso de vincular a felicidade ao sucesso me faz lembrar do oftalmo que me operou. (...) A despeito da cegueira irreparável, garantiu com uma ponta indisfarçável de orgulho:
- Olha, apesar de sua falta de visão, o trabalho foi bem feito. A retina está coladinha. Impecável.”
- Aceitar mesmo os infortúnios inesperados e irreparáveis e disso tirar lições é o mais puro estoicismo. Aceitar sem desesperar. A vida não é justa, mas é a vida.
Eita “livrinho” porreta! Vale a pena ser lido e relido, pois a vida é assim: ler é reler, reler e reler – escrever é escrever, reescrever e reescrever, quantas vezes for preciso. Vai ficar na minha cabeceira para amainar meu epicurismo e aceitar mais meu estoicismo.
Beto Buckmann
NH, 21/08/2022.




Beto, sua crítica do livro do Clóvis (que sou fã) é instigante e nos leva imediatamente para alguma livraria virtual para comprá-lo. Obrigado pela dica, abraço. Galvão