FILOSOFIA, TODO DIA.
- Carlos A. Buckmann
- 30 de jun. de 2022
- 3 min de leitura

Para entender o sentido da vida, é preciso ter amor pelo conhecimento, que é, do grego, a tradução mais literal de FILOSOFIA.
Minha paixão pela filosofia vem desde os bancos da faculdade de letras, onde realmente comecei a praticar a arte de filosofar, na incessante busca por conhecimento, cada vez constatando mais o dito socrático, segundo Platão, “só sei que nada sei”.
Com certeza, toda uma vida, e a minha já passa dos setenta e seis anos, é muito pouco para se entender a vida com um sentido. Estudei e estudo, desde os filósofos pré-socráticos, Tales de Mileto, Anaxímenes, Heráclito de Éfeso e passando por Sócrates e seus discípulos, Platão e Aristóteles e a maioria dos que perpassaram da idade das trevas para o iluminismo e o modernismo: Descartes, Diderot, Pascal, Montaigne, Nietzsche, Spinoza, Dostoiévski ( aí o leitor me corrige: Dostoiévski não foi filósofo, for escritor.- Então eu contra-argumento: para mim, todos os seus livros são um tratado filosófico e até, se quiserem, psicológico), até nossos dias com Ana Arendt, Victor Frankl, Bauman, incluindo nossos compatriotas, Pondé, Cortella, Karnal e todos que me caírem às mãos. Citar todos, se tornaria chato e pedante.
Com esse jeito de pensar, às vezes me vejo empregando a maiêutica socrática em mim mesmo, buscando respostas para questões diárias.
Azar de quem convive comigo, esse é meu jeito de encarar a vida, tentando fazer a minha parte para tornar o mundo melhor.
Outro dia, minha colega de trabalho, a Dani (Daniela) de quem já falei em outra crônica, menina linda e inteligente, com pouco mais de seu metro e meio (por isso a chamo carinhosamente de “Pitoca”) estava a assobiar uma música de composição estrangeira (não sei qual era) e outra colega comentou a respeito, ao que Dani respondeu: “Gostaria de poder cantar, mas como não sei falar inglês, assobio”. Não resisti. Cumprimentei a “Pitoca” por seu pensamento estoico, sabendo ser feliz com o que tem e seguindo a vida.
Nossa empresa tem muitos exemplos de contratações de estagiárias, menores aprendizes, que se qualificam e se tornam contratações efetivas. Cerca de uma ano atrás, por necessidade de substituição de uma colega que engravidou, (a gente convive muito bem com essas experiências, por isso somos GPTW), contratamos outra estagiária que se tornou efetiva: Valentine, a quem carinhosamente chamamos de Tine. Essa menina, a quem eu amo de paixão, tem sido uma surpresa a cada dia, por sua inteligência e proatividade, além de meiga e super educada.
Outro dia, um sábado, minha esposa, Ferrugem, preparou uma feijoada e convidamos meu amigo Marcelo, sua esposa Cristina, outra amiga, Eliane, e também a Tine. Almoço maravilhoso, não só pela feijoada (com direito a ambulância na porta, como diz a Ferrugem) mas pelo papo gostoso que rolou o tempo todo, acompanhado de um bom Merlot argentino. Adoro conversar com pessoas inteligentes. Após o almoço, acompanhei a Tine até ao que chamo de “meu quarto-escritório-biblioteca”, onde ela perguntou se eu tinha algum livro de Sêneca, mais propriamente o “Aprendendo a Viver”. Levou emprestado e, para surpresa minha, tem sido sua leitura no intervalo para o almoço. Vendo isso, lhe dei de presente outra obra de Sêneca: Sobre a Brevidade da Vida.
Michel de Montaigne escreveu um de seus ensaios “Que Filosofar é Aprender a Morrer” (por isso não tenho medo da morte e a espero com toda tranquilidade, seguindo o escreveu Hermann Hesse na obra “Com a Maturidade Fica-se Mais Jovem”: - “Para os velhos é bom e são, Borgonha tinto ao pé da lareira, depois uma morte ligeira, mas só mais tarde, hoje não”) - Sêneca nos deu suas cartas a Lucilio “Aprendendo a Viver”. - Tanto um como outro, formando nosso caráter para vivermos mais digno e mais intensamente, num mundo que só assim poderá ser melhor.
Dani e Tine, sou eternamente grato pela vida ter colocado vocês no meu caminho, pois me mostrou que inteligência, beleza e juventude convivem maravilhosamente e são a esperança de um futuro mais feliz para nossa sofrida nação.
Então, apenas reafirmo: Para entender o sentido da vida, é preciso ter amor pelo conhecimento, que é, do grego, a tradução mais literal de FILOSOFIA.
(N.H, em 30 de junho de 2022, em meio a uma crise de tosse alérgica.)
(Agradecendo a meu Mestre Paulo Galvão (MBA) por me incentivar a continuar escrevendo. É muito normal um aluno lembrar de seu professor, mas Galvão é diferente: ele lembra com carinho desse eterno aprendiz.- Gratidão eterna.)




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