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DE OITO A OITENTA

  • Carlos A. Buckmann
  • 19 de jan. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 9 de dez. de 2020







MELINA é uma pessoa que acompanha meu blog e ontem, além de me cobrar para que publique meus ensaios com mais frequência, me perguntou o que eu achava da frase “de oito a oitenta temos pelo menos setenta e duas chances”. Foi o que consegui escutar, pois a ligação via Skype estava um pouco baixa. Em tom de brincadeira, lhe respondi: - então para mim, chegando aos setenta e quatro, restam apena seis chances. – Rimos e continuamos a conversar por alguns minutos sobre livros e leituras.

No entanto, a frase e o pedido da Milena ficaram na minha mente. Vou procurar escrever com mais frequência e dar mais atenção ao meu blog, principalmente agora que descobri ter mais uma seguidora (acho que agora são três – (Neto, Tânia e agora a Milena). Brincadeiras a parte, a frase me lembrou a música de Zé Geraldo “COMO DIRIA DYLAN”, cuja letra começa com: “Hei você, que tem de 8 a 80 anos, não fique aí parado como ave sem destino“ e tem o forte refrão: “meu amigo meu compadre meu irmão, escreva sua história com as suas próprias mãos...” – Letra e música com a força do sangue nordestino, que no dizer de Euclides da Cunha em Os Sertões, se referindo a brava gente do nordeste brasileiro, escreveu: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. É esta garra nordestina que explode na interpretação de Zé Geraldo.

É justamente assim que penso sobre cada um fazer, escrever, viver sua própria história. Quanto às chances que a vida nos dá, como bom gaúcho, sempre montei quando algum cavalo passou encilhado. Traduzindo, sempre aproveitei as oportunidades profissionais que me apareceram ao longo da vida. Isso me levou a conhecer o Brasil de norte a sul e de leste a oeste, aumentando meus conhecimentos com cada nova lição.

Em Santo Ângelo, no noroeste do Rio Grande do Sul, orgulhosamente intitulada “Capital das Missões”, “in loco” absorvi os ensinamentos da cultura jesuítica, miscigenada com a vida guarani. Lá, no curso de letras, tomei o gosto pelo teatro e, em plena ditadura militar, sob a égide do nefasto AI5, aprendemos como lidar com a pouca inteligência dos sensores, e conseguimos encenar ELES NÃO USAM BLACK TIE, de Gianfrancesco Guarnieri, QUANDO AS MÁQUINAS PARAM, de Plínio Marcos entre outras tantas, que apesar dos cortes de textos impostos pelos sensores, conseguíamos passar os recados dos autores.

Na Curitiba sempre limpa e organizada, o bairro de Santa Felicidade de imensa riqueza gastronômica até hoje me traz saudades de seus inúmeros restaurantes.

Do Rio de Janeiro, hoje tão conturbado pela violência, fica a imagem de sua orla, Copacabana e Ipanema, , onde Vinícius, entre um whisky e outro, escreveu músicas maravilhosas e amou tantas mulheres.

Em Natal e Fortaleza as maravilhas das praias de brancas areias e lagoas paradisíacas, o brilho do sol nas peles bronzeadas me lembram entre outras coisas, a estátua de Iracema, a “Virgem dos lábios de mel” de José de Alencar, na praia do mesmo nome, na orla central de Fortaleza. Em Natal, descer a duna do Morro do Careca em “esquibunda” é experiência única.

Percorrendo de carro o trajeto entre Fortaleza e Belém do Pará, atravessei o rio Parnaíba, divisa entre os Estados do Piauí e Maranhão. Em Teresina, com seu calor escaldante, quebrei um ovo no asfalto e literalmente ficou frito em poucos minutos.

No interior do Maranhão, fiz uma parada para almoço na cidade de Piripiri, tão cantada e decantada pelo cantor Paulo Diniz.

Em Belém do Pará, cujo nome histórico é Santa Maria de Belém do Grão Pará, me encantei com os sabores da Maniçoba e do Pato ao Tucupi, pratos saborosos de procedência indígena.

No dizer de Sêneca, o filósofo romano, nascido em Córdoba na Espanha, então sob domínio do império romano: - “Não nasci para um único lugar, a minha pátria é esse mundo inteiro.”.

Com isso não quero dizer que todos devamos ter uma vida de cigano, mudando de lugar em lugar. Quero sim, dizer que devemos estar atentos as oportunidades que nos aparecem a todo instante. Quantas vezes, por nos acharmos “muito ocupados”, envolvidos pelas rotinas diárias, perdemos grandes oportunidades de negócios e depois lamentamos a chance perdida.

Isso tudo, com o passar dos oito aos oitenta, a gente vai acumulando e adquirindo experiencias, que sempre podem nos tornar pessoas melhores. Quando mais jovem, por certo que nem tudo foram louros e, mesmo agora quando a neve tomou conta de meus cabelos denunciando minha idade, por certo ainda erro muito, coisas de ser humano, mas prefiro errar por tentar do que perder a oportunidade por desleixo ou falta de interesse.

Cícero, o grande tribuno romano, escreveu: - “O saber se vale das competências acumuladas e se enriquece à medida que envelhecemos”. – E disse mais: - “Para ser aplaudido o ator não tem a necessidade de desempenhar a peça inteira. Basta que seja bom nas cenas em que aparece”.

Sejamos, portanto, bons no desempenho de cada cena que a vida nos determina, pois cada oportunidade é única entre as mais de setenta e duas, dos oito aos oitenta.

Obrigado Milena, pelo tema que me apresentaste. Espero ter aproveitado bem.

Pense nisso

e bons negócios prá nós.

 
 
 

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