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COACHES, GURUS E EMBUSTEIROS

  • Carlos A. Buckmann
  • 24 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

A história nos mostra que nos momentos de grandes crises acontecem as mudanças mais radicais em nossas vidas e que as necessidades criadas nestes momentos dão origem as maiores invenções. Basta vermos as armas e medicamentos que se originam nas grandes guerras, como os foguetes V2 desenvolvidos pela Alemanha para bombardear Londres e a penicilina que descoberta em 1928 de maneira acidental pelo médico Alexander Fleming, passou a salvar a vida de milhões de pessoas.

O momento em que vivemos durante esta pandemia do Corona Vírus, nos trazem mudanças que ficarão para sempre incluídas no dia a dia de nossas vidas. E não me refiro a medicamentos e vacinas, que de maneira maratônica estudam e desenvolvem os atuais cientistas de todas as partes do mundo. Refiro-me sim, as mudanças de hábitos que já se fazem sentir no desenrolar deste período pandêmico.

As ferramentas de videoconferências (Zoom, Microsoft Meeting etc.) se multiplicaram e ultrapassaram o velho Skype, ferramenta criada por Janus Friis e Niklas Zennstrom. O Skype foi lançado no ano de 2003, hoje ferramenta da poderosa Microsoft, que também teve que se aperfeiçoar para continuar no mercado. Isso é só um exemplo do que ficará para sempre, gerando economia em viagens, em reuniões de elevados custos e mesmo na agilidade de negócios, cujo encontro pessoal se tornou desnecessário.

Ah! Mas isso trouxe também a multiplicação de “lives”, que vão desde shows até palestras de treinamentos, com previsões de pós pandemia e de “novos normais” e o surgimento de coaches, palestrantes e gurus, que se multiplicaram como a praga do próprio vírus, o que me obrigou a ser bastante seletivo, para não perder tempo em assuntos inúteis, outros repetitivos e alguns até cômicos se não fossem trágicos. Claro que a maioria são de assuntos bons, construtivos e instrutivos, de personagens de larga cultura, a quem presto grande respeito. Ou seria a minoria? Confesso que não sei mais, por isso continuo sendo seletivo.

Diariamente recebo propostas para contratação de palestrantes, onde tem muita gente boa e que vale a pena escutar e outros que são verdadeiros delírios do óbvio. A profissão de “coach” se multiplicou o que me faz lembrar de um velho ditado do meu tempo de professor de contabilidade, em que se dizia sobre alguns docentes pouco capacitados – “Quem sabe faz, quem não sabe ensina”, o que também vale para os capacitados, pois o ensino é sempre uma troca de conhecimento e aprendizado. Triste daquele professor que pensa saber tudo.

Lá na década de 50 do século passado quando eu tomava meu primeiro contato com a leitura, meu pai já tinha vários livros de autoajuda, como os de Napoleon Hill (Pense e Enriqueça) e de Dale Carnegie (Como fazer amigos e influenciar pessoas) entre outros. Mais tarde, os autores de auto ajuda se multiplicaram e enriqueceram com suas obras. Esse tipo de publicação é uma verdadeira mina de ouro para editoras e “escritores” (o entre aspas é por minha conta) se não, vejam o sucesso que fez “O Segredo”, de Rhonda Byrne, que NÃO RECOMENDO a leitura.

Então a pergunta: Por que fazem sucesso? – A resposta levaria a um tratado aprofundado de psicologia e filosofia. Eu procuro resumir: o espírito de carência e pouca instrução, (e até alguns instruídos) leva as pessoas a buscarem e acreditarem que resolverão seus problemas com estas perspectivas. Isso é ruim? – De todo acho que não, pois mesmo com quem sabe menos, a gente aprende muito.

O sucesso de faturamento das mais variadas “religiões ” criadas por auto intitulados “bispos” e “pastores”, reforça minha teoria, (e é teoria e é só minha) repito, mostra que a carência psicológica e a pouca cultura fazem as pessoas se agarrarem e até pagarem qualquer preço por qualquer coisa que prometa um milagre que transforme suas vidas.

Para reforçar minha seletividade na avaliação e me livrar dessas pragas, desenvolvi uma vacina lógica e mortal: - Quando um dos neófitos coaches ou gurus vem me propor ou apresentar seu trabalho, eu humildemente lhe proponho o seguinte: - “Que legal. Eu gosto muito de aprender, principalmente com pessoas estudiosas. Como eu leio bastante, gostaria que você me indicasse uns cinco livros que você leu neste último ano.” – Se o fulano gaguejar, já era. Está dispensado. – Para os “mestres” da pseudociência da PNL (o título de pseudociência não é meu e se duvidarem, pesquisem no Google, na Wikipédia, como eu já fiz, ou com neurologistas e psicólogos) a minha vacina é mais mortal: -“Que legal. Aproveitando que você entende de linguística, me diga o que você acha da dualidade do pensamento de Wittigenstein sobre a linguagem e um pouco mais, sobre os estudos do Dr. Charles Crittenden sobre a linguagem no pensamento cotidiano”. - Gaguejou, já era. - Até agora minha “vacina” funcionou cem por cento.

Mas não vamos fazer terra arrasada, pois afinal, como argumentou Kant, “...ao menos alguns princípios do pensamento comum devem estar corretos para que algum tipo de pensamento seja possível”.

Tempos difíceis esses que estamos passando. Vacine-se e seja seletivo para viver melhor.

Pense nisso

e bons negócios prá nós.

 
 
 

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