CAMINHANDO NA CORDA BAMBA
- Carlos A. Buckmann
- 11 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

CAMINHANDO NA CORDA BAMBA
O Delicado Equilíbrio do Gerenciamento de Compras na Farmácia.
por Beto Buckmann
Gerenciar o estoque de uma farmácia é, para mim, como caminhar em uma corda bamba. De um lado, o abismo do estoque excessivo: capital imobilizado, produtos parados, risco de vencimento e espaço físico comprometido. Do outro, o precipício do estoque insuficiente: rupturas, clientes insatisfeitos, perda de vendas e, pior, a erosão da credibilidade, um ativo intangível, mas fundamental no varejo farmacêutico.
Na prática, cada compra é uma decisão entre dois perigos. Se exagero na previsão, corro o risco de comprometer o fluxo de caixa com ativos que não geram retorno. Se subestimo a demanda, enfrento rupturas que, segundo Albert I. Wertheimer, PhD, não apenas impactam a receita imediata, mas também afetam a fidelização do cliente, um ponto crítico, considerando que 72% dos consumidores mudam de farmácia após três ocorrências de ruptura.
É nesse contexto que aplico metodologias de controle de estoque baseadas em evidências. Utilizo o modelo ABC como pilar inicial, priorizando os itens de Classe A, os 20% que representam cerca de 80% do valor de estoque, segundo os princípios de Pareto. Esses produtos exigem revisão contínua, com reposição baseada em previsibilidade de demanda, sazonalidade e giro. Aqui, a ferramenta de “lead time” é essencial: conhecer o tempo entre o pedido e a entrega permite antecipar compras sem gerar acúmulo desnecessário.
A AmerisourceBergen, em seu relatório Taking Stock: Inventory Management Best Practices (2025), reforça a importância de alinhar a política de compras ao perfil de giro real da loja. Não basta comprar porque o fornecedor oferece desconto por volume é preciso calcular o “cash-to-cash cycle: o tempo que o dinheiro fica imobilizado desde a compra até a venda e recebimento. Um estoque mal planejado pode alongar esse ciclo, comprometendo a liquidez operacional.
Por isso, também incorporo o método “Just-in-Time Inventory”, adaptado ao varejo farmacêutico. Apesar das particularidades do setor, como a necessidade de manter estoque mínimo de medicamentos essenciais, o JIT, quando bem aplicado, reduz o capital imobilizado em até 30%, conforme dados do PBA Health (2025). Trabalho com fornecedores confiáveis, prazos de entrega previsíveis e sistemas de reposição automática por ponto de pedido, garantindo que o item chegue antes do esgotamento, mas sem antecipação excessiva.
Ainda assim, o desafio persiste. O mercado farmacêutico é volátil: campanhas de vacinação, epidemias sazonais, mudanças na política de preços da ANVISA ou no catálogo da Farmácia Popular alteram a demanda de forma imprevisível. Nesses momentos, a análise histórica de vendas, aliada à previsão qualitativa, torna-se meu principal instrumento de decisão.
O impacto financeiro do estoque é direto: um excesso equivale a juros sobre capital não aplicado; uma ruptura, a perda de margem e reputação. Ambos distorcem o markup real da operação e comprometem a saúde do negócio.
Depois de anos ajustando essa corda bamba, entendi que não há fórmula mágica, há disciplina, dados e ajustes constantes. E é por isso que ofereço minha consultoria especializada em gestão farmacêutica: para ajudar farmácias a equilibrar compras, evitar rupturas e proteger o fluxo de caixa, com base em práticas comprovadas e adaptadas à realidade do seu negócio.
Se você sente que seu estoque está desequilibrando suas contas, vamos conversar.
Beto Buckmann
Consultor em Gestão Farmacêutica
(51) 99259-6364




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