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ATRAVESSAR FRONTEIRAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 26 de dez. de 2024
  • 4 min de leitura

ATRAVESSAR FRONTEIRAS

Tanto ou mais do que dominar o fogo, foi o ato de transpor fronteiras, que levou a humanidade a evoluir desde o “Australopithecus” ao “Homo Sapiens” de nossos dias.

O historiador israelense Yuval Noah Harari, em sua obra SAPIENS, traz a seguinte narrativa: -“... Os humanos surgiram na África Ocidental há cerca de 2,5 milhões de anos, a partir de um gênero anterior de primatas chamado Australopithecus, que significa “macaco do sul”. Por volta de 2 milhões de anos atrás, alguns desses homens e mulheres arcaicos deixaram sua terra natal para se aventurar e se assentar em vastas áreas da África do Norte, da Europa e da Ásia.”

Com certeza, mesmo sem dominar o fogo, essa onda migratória, foi levando seus parcos conhecimentos para mais e mais lugares em que foram se estabelecendo e evoluindo.

Trazendo para nossos séculos recentes, do XV ao XXI e mais recente ainda nas últimas quatro ou cinco décadas, foi o rompimento de fronteiras físicas, intelectuais e cibernéticas que trouxeram os maiores progressos para a humanidade.

A navegação rompeu as fronteiras oceânicas, levando europeus para novas terras até então desconhecidas por eles, claro que não pelos nativos destas terras que ali já estavam a milhares de anos. O automóvel rompeu as fronteiras terrestres levando o ser  humano para onde quisesse se aventurar por terra até onde os novos caminhos permitissem, o que os levou a abrir novos caminhos. A aviação rompeu as fronteiras celestes,  a própria barreira do som e as fronteiras do universo, levando o homem à lua e até onde nossa ciência possa levá-lo nos próximos anos. Por fim, a internet eliminou as fronteiras do conhecimento, com a instantaneidade da informação e a Inteligência Artificial passa a derrubar todas as barreiras do trabalho, trazendo em seu bojo o conhecimento do mundo para  facilitar nossa vida.

Numa análise fria, isso nos mostra que para o avanço da humanidade, é necessário  o rompimento de fronteiras. Então, o que nos impede de chegar ao “Homo Deus”, também descrito pelo mesmo Yuval Noah Harari?

H D THOREAU, em seu “WALDEN”, escreveu: -...”é ao frio, físico e social, que atribuímos diretamente uma grande parte de nossos males...(...)- ... O que o homem pensa de si, é isso o que determina ou, melhor, indica seu destino”...

Eis a fronteira que precisa ser transposta para evoluirmos verdadeiramente como seres humanos: a barreira da compreensão e da aceitação da diversidade de ideias e de ideais, a barreira do respeito e da solidariedade. Infelizmente, individualmente, mais e mais erguemos muros entre as fronteiras do EU e os OUTROS.

A grande fonte de conhecimentos, a internet, mais e mais aumenta essas fronteiras, onde as ideologias, acima das ideias, tem servido para disseminar ódios e intolerâncias, onde o respeito  perdeu todas as chances de nos levar a evolução para uma convivência harmoniosa e que nos conduza ao progresso social e econômico.

Um cliente me questionou certa vez:

- Não consigo fazer com que meus funcionários me entendam,  que vistam a camiseta da empresa e trabalhem como precisamos. O que devo fazer para conseguir isso?

 – Usei do método socrático, respondendo com outra pergunta para fazê-lo pensar: - E quantas vezes você já procurou entendê-los?

- Como assim? Como Eu tenho que entendê-los? Eu pago os salários, pago comissões, premiações por metas e nada disso faz com que eles entendam que a empresa depende de que façam o seu melhor.

- E como tem sido o seu processo de análise comportamental por meio de feedback?

- (Sem resposta)

Dentro da empresa, criamos fronteiras que precisam ser ultrapassadas para a evolução.

Georg Simmel escreveu: - “O impulso básico da cultura contemporânea, é um impulso negativo e, é por isso que, ao contrário dos homens  em todas as épocas anteriores , já temos vivido por algum tempo sem qualquer ideal comum, talvez mesmo sem quaisquer ideais”.

Do pensamento de Simmel, discordo apenas de “...ao contrário dos homens em todas as épocas anteriores”... – porque ao meu ponto de vista, em todas as épocas, o ser humano, sempre foi assim.

Na fronteira existente entre patrão e empregado, entre um ser humano e outro ser humano, só o diálogo aberto e franco, sem meias palavras nem mentiras, ou seja,  num feedback real, pode nos levar a evolução.

Em O MITO DE SÍSIFO, Albert Camus, descrevendo OS MUROS DO ABSURDO, registra que: -“Como as grandes obras, os sentimentos profundos significam sempre mais do que têm a consciência de dizer (...) Os grandes sentimentos levam consigo o seu universo, esplêndido ou miserável”.

A falta de empatia, a capacidade de se colocar, de se sentir no lugar do outro é que ergue os muros vergonhosos entre o Eu e os Outros.

A revolta gera revolta, a compreensão gera compreensão. É a lei do carma, acredite você ou não. Para que seus funcionários o entendam, é preciso primeiro entendê-los. Para que seus filhos os entendam, é preciso compreendê-los. Para isso, é preciso eliminar o sentimento de vergonha que nos impede de exterminar com os seus geradores, orgulho e superioridade, fronteiras que usamos para demarcar a falta de empatia e o poder do diálogo. – Eis o caminho para a evolução.

 

 

 

 
 
 

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