ATITUDES QUE MUDAM A VIDA
- Carlos A. Buckmann
- 5 de ago. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 31 de mar. de 2021

O psicólogo italiano Walter Riso tem entre suas obras, “O DIREITO DE DIZER NÃO”. Livro de fácil leitura, em que nos ensina a arte de ser assertivo.
A assertividade não é fácil de ser entendida e mais difícil ainda de ser incorporada em nosso dia a dia, se não a adotarmos como um princípio de vida, moldado em nossa ética e nosso caráter.
Ser assertivo é ter posicionamento, saber colocar suas ideias, saber defender seus direitos, até aos limites dos direitos de outrem, sendo essa a barreira a não ser ultrapassada, sob pena de passar da assertividade para a arrogância.
Muitas vezes, por medo de ferir os brios de alguém, nos sujeitamos a aceitar atitudes que nos machucam, nos deixam depressivos, ou no popular, “nos deixam prá baixo”. No entanto, é nestas horas que deve entrar ação a nossa assertividade.
Na vida familiar, entre amigos e conhecidos, nos nossos negócios do dia a dia, ser assertivo ainda é a melhor atitude. Em casa, não posso deixar que alguém mexa impunemente em minhas coisas particulares sem minha permissão. Quando isso acontece, para que os fatos não se agravem, preciso dizer com todas as letras que não gostei. Quando um amigo ou amiga resolve “meter o nariz” num assunto que só a mim diz respeito, devo ser claro e direto, estabelecendo os limites que manterão nossa amizade; se ele ou ela não gostar e romper a amizade, é porque a amizade nunca existiu. Nos nossos negócios, cada transação, cada compra, cada venda, cada postura entre colegas de trabalho tem o seu limite de negociação. A máxima de que o “Cliente tem Sempre Razão” às vezes não pode ser seguida; se ele tenta te explorar exigindo um desconto abusivo, alegando que no concorrente o preço é muito inferior ao seu, que é justo e bem calculado, é hora de dizer não; se você entrar no jogo dele, vai mostrar que você pode ser explorado ou que ele tem razão em pensar que você o está explorando; isso vai virar um círculo vicioso em cada negociação, onde o processo “ganha/ganha”, saudável em toda transação, é deixado de lado. O mesmo vale quando você é o cliente e aquele vendedor que diz ser seu amigo, precisando atingir sua quota do mês, tenta obrigá-lo adquirir uma mercadoria que você não está precisando. Quem tentar ultrapassar estes limites deve estar preparado para receber um rotundo NÃO.
Quando um gesto, uma palavra, uma atitude aceleram o nível de produção de suco gástrico, causando um mal estar repentino e nos tira “fora do eixo”, é o sinal de que chegou a hora de dizer NÃO!
Nossa educação, nosso medo de ferir o outro, nosso receio por perder um bom emprego ou não magoar um cliente, nos levam à situação de “engolir sapo”.
Claro que não podemos sair dizendo não para tudo o que não gostamos, sob pena de nos tornarmos grosseiros e maus negociadores. Sempre é preciso o bom senso, o uso da razão, o pesar prós e contras. Mas, isso feito e se você sentir que chegou no limite, PARE! É a hora de dizer NÃO!
Agora, uma história individual, talvez como forma de catarse:
Há algum tempo, me vi numa situação limite em um caso de insubordinação gravíssima de uma pessoa que me era subalterna na empresa em que trabalhava. Com a prerrogativa de seu superior hierárquico, levei o caso a diretoria e ordenei que a demitissem. O presidente da empresa, não sei por que motivo (até acho que sei, mas é melhor não entrar nesse detalhe) resolveu acomodar a situação. Depois, resolveu que não a demitiria. Senti aquela descarga de ácido estomacal. Pesei os pós e os contras da situação e vi que não haveria clima para a continuidade do trabalho, tendo chegado o momento de dizer não. Abri mão de oito anos de casa e pedi demissão. Foi uma atitude arriscada, pois com mais de setenta anos de idade, seria difícil conseguir outro emprego. E mais, demitindo-me, abri mão de qualquer indenização e saí só com o salário do mês.
Desempregado, em final de ano, resolvi que tiraria umas merecidas férias, que já não as tinha completas nestes últimos oito anos. Fiquei em sessenta dias sabáticos, reorganizado minha vida. Criei minha empresa de consultoria e reprogramei minha vida.
Durante este período, descobri que tinha verdadeiros amigos, que me deram muita força e muito apoio para me recolocarem no mercado. Entre eles o Vagner Ferreira, o Neto José Abud e o Marcos (Sabão) Schlickmann, que sem me questionarem pelo inusitado de minha assertividade, não descansaram até me verem recolocado no mercado de trabalho.
Novo ambiente, novos desafios, novas certezas. Foi o melhor NÃO que um dia pronunciei. Hoje, de alma lavada, cabeça erguida, desenvolvo meu trabalho com muito respeito de minha diretoria e colegas de trabalho. Eterna gratidão.
Como escreveu Walter Riso: “...Não sabemos como surge, mas, às vezes, mesmo que o medo apareça e o perigo aumente, uma força desconhecida é lançada da consciência e nos coloca bem no limite do que não é negociável e não queremos nem podemos aceitar.”
A assertividade não é fácil, mas nossa dignidade deve estar acima de tudo e não pode ser negociada.
Pense nisso
e bons negócios prá nós.




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