AS LEIS DO MERCADO
- Carlos A. Buckmann
- 14 de fev. de 2019
- 7 min de leitura
Atualizado: 15 de abr. de 2021

O mercado: comércio – indústria - serviços etc... em todo o mundo do regime capitalista é um “ser” vivo e, como tal, em constante mutação e desenvolvimento (pelo menos os que crescem). Assim sendo, a primeira “lei” que a ele se aplica, é a que embasa toda teoria de Darwin: “Na natureza, os que sobrevivem não são os mais fortes, mas sim os que mais rápido se adaptam as mudanças”. Como um “ser” vivo, com maior ou menor velocidade (hoje sempre maior) as mudanças ocorrem e modificam constantemente o “status quo”. No entanto, em conversas com os mais variados tipos de empresários, notamos uma resistência, quase chegando as raias da teimosia, a resistência em se adaptar a essas mudanças, na base do argumento de que “até agora sempre foi assim, por que mudar?”. Antes de contra-argumentar estas afirmações, fico me perguntando o porquê destas resistências às mudanças: Prepotência? Comodismo? Tradição? Falta de informação? Medo?... Me parece que este último, O MEDO, está na raiz dessa resistência e que leva a prepotência, ao comodismo, e a tradição. A prepotência, na raiz do “eu sei tudo”, o coloca acima da inteligência média. Mas para isso, vale o dito de Michel E. de Montaigne: “...não importa quão alto seja seu trono; você sempre estará sentado sobre seu traseiro”. - A falta de informação é consequência do comodismo. A tradição é desculpa do conformismo. – Então procuro analisar o medo, que embora todos o neguem, está no embasamento para a resistência às mudanças. Nos primórdios da evolução humana e da vida na terra, lá no aparecimento do homem de Neandertal, nós, os descendentes dos primatas, os primeiros a andar em postura ereta, éramos os seres de menor estatura e por isso, inferiores em tamanho e força aos demais animais, por sua vez, mais ferozes e vorazes, o que nos obrigava a temê-los. – Esse medo ficou enraizado em nosso DNA, onde o nosso corpo e mente evoluíram, mas mantiveram o MEDO em seu subconsciente. Ou será que você é um valentão que nunca teve medo de nada? – Com o passar do tempo, nós educamos nossos descendentes, sempre na base do MEDO. – Você lembra das canções de ninar com que nossas mães, tias e avós e hoje ainda cantam para nossos bebês? – “nana nenê, que o bicho vem pegar, o meu nenezinho que não quer nanar”... (Ou algo parecido. Essa é a que me lembro). Bonito não? Dorme ou o bicho te pega. – Olha você na empresa: “fica quieto, senão a concorrência te come”. – E a gente cresce, aprende a falar e nos contam belas histórias infantis: A Bela Adormecida, Lobo mau e os três porquinhos, Chapeuzinho Vermelho... tudo muito instrutivo, para nos incutir MEDO. Ou seja, nós somos criados e educados através de ameaças, através do MEDO. – Mas é ruim sentir medo? – Acho que não. Precisamos SABER sentir medo, mas ter a coragem para enfrentá-lo. Dito isto, voltemos as leis do mercado. – Como diz EDISON TAMASCIA, presidente da FEBRAFAR, “você não faz as leis do mercado, o mercado faz suas próprias leis”. – Eu acrescento: se você quiser inventar alguma nova lei, vai literalmente “se ferrar”. Vejamos alguns exemplos de leis criadas pelo mercado e as consequências de quem se adapta ou não. – O advento dos aplicativos de transportes, principalmente o UBER, trouxe o medo, ou até pavor para a classe dos taxistas. O sindicato dos taxistas parou de pedir os aumentos anuais, os taxis começaram a utilizar aplicativos de chamada (que dão descontos), passaram a receber pagamento com cartões de crédito e estão renovando a frota, que antes era sucateada. Hoje pelo aplicativo, eu vejo qual o carro que aceitou minha chamada e a avaliação do seu serviço. Se não forem do meu agrado, cancelo a chamada e faço nova. Claro que tem taxistas que resistem a essas mudanças, mas é só uma questão de tempo para estarem fora do mercado. Outro exemplo de lei criada pelo mercado: A violência urbana aumentou o sistema de “delivery” de restaurantes e pizzarias. Hoje eu, você e muita gente que conhecemos, preferimos pedir a tele entrega e ficar em casa saboreando um bom vinho junto com a pizza e assistindo a NETFLIX, que por sua vez, mudou o mercado de vídeo locadoras e do cinema. – Então, ou se adapta ou sai do mercado. É simples assim. E mais, ou você se antecipa as mudanças ou vai definhando até morrer. Jack Welch, o “mago” CEO da General Eletric, quando assumiu seu posto em 1981, recebeu uma consultoria do “pai” da moderna gestão (administração), Peter Drucker, que lhe fez as seguintes perguntas: - a)“Se a GE ainda não operasse em seus atuais negócios, você entraria neles hoje? b) E se a resposta for não, o que você fará a respeito?” – Para os que nasceram depois da década de 80, vale lembrar que a GE operava em dezenas de países, com centenas de fábricas, produzindo motores elétricos, rádios, enceradeiras, ventiladores, geladeiras, torradeiras e uma parafernália de eletrodomésticos. (Eu lembro que um dos orgulhos de minha mãe, era a sua enceradeira GE, seu “braço direito” na limpeza da casa). A decisão de Welch? Qualquer negócio que não fosse o número 1 ou número 2 no mercado, seria concertado, vendido ou fechado. Resultado: as ações da GE valorizaram ao patamar de 4.000% durante sua gestão como CEO. – A visão de Welch das leis mercado, o fez se antecipar as mudanças que começavam a ocorrer: ventiladores e rádios fabricados na China, Japão e Coreia do Sul.; enceradeiras caindo em desuso; geladeiras produzidas baratas no Brasil, televisores fabricados em Taiwan e por aí vai, pois tudo isso era produzido com baixa tecnologia e mão de obra barata. Saiu do mercado a tempo e se fixou em produtos de alta tecnologia e mercado restrito: turbinas de aviões, geradores de usinas de eletricidade, máquinas de tomografia computadorizada. - Alguém consegue produzir isso no fundo do quintal com mão de obra barata? - Isso é se antecipar às mudanças. Aliás, uma frase do próprio Jack Welch de que gosto muito e atesta suas decisões: “Quando o ritmo da mudança dentro da empresa for ultrapassado pelo ritmo da mudança fora dela, o fim está próximo”. Será que Welch teve medo de fazer essas mudanças? Estou convencido que SIM. Mas teve a CORAGEM de vencer seus medos e entender as leis de mercado. O PhD William A. Cohen, que foi discípulo de Peter Drucker, afirma que “...Por mais inteligentes que sejamos, não decidimos o que os clientes querem e valorizam (...) quem define o produto ou o serviço é sempre o cliente, nunca o fornecedor.” – Resta alguma dúvida de onde são geradas as leis do mercado? Como disse no início, o mercado é um “ser” vivo, em constante mutação como todo ser vivo da natureza. O “eu” que hoje escreve este texto, é diferente do “eu” adolescente, ou daquele “guri” magro que aparece na foto da minha formatura. Aquela mudinha que você plantou no seu quintal, depois de regada e cuidada, é a árvore que hoje faz sombra e dá frutos. Aquele céu estrelado que você viu ontem à noite, hoje terá mudado de posição. Na natureza, tudo está em constante mudança. Esta é a “Lei da Impermanência” citada pelo “coach” Gilberto de Souza. Heráclito, filósofo grego que viveu de 540 a 480 a.C., escreveu: “ ... tudo está em contínuo movimento, tudo flui; ninguém toma banho duas vezes no mesmo rio, porque tanto a água quanto o homem mudam incessantemente”... De tudo isso, temos que admitir que a principal lei do mercado é a mudança constante. É simples assim: Ou você se adapta ou está fora. Tem empresas que acham que podem criar novas leis: - Alguns anos atrás, as Casas Bahia resolveram expandir seu mercado para o Rio Grande do Sul, abriram dezenas de lojas em toda grande Porto Alegre, adotando sua política de vendas em intermináveis prestações de baixo valor, dobrando o preço final dos produtos. Mas o comprador gaúcho faz contas e na maioria das vezes, prefere pagar à vista ou em poucas prestações e é “alérgico” a juros astronômicos. Resultado: Saíram do mercado mais rápido do que entraram. (Saliento que essa é uma conclusão minha analisando o que ocorreu). As leis de mercado do sul, são diferentes das leis do mercado do nordeste, que por sua vez diferem das do centro oeste e estas diferem das do norte. Uma questão de costume, de poder aquisitivo, de preferência do cliente, de realidade do mercado. Voltando ao começo - Darwin: “Na natureza, os que sobrevivem não são os mais fortes, mas sim os que mais rápido se adaptam as mudanças”. Certo. Mas daí você me pergunta: - Quando e onde começa a mudança? Resposta curta: - Na sua mente, no seu subconsciente, trazendo para o seu consciente. Você tem que sair da zona de conforto, analisar a situação e fazer suas escolhas. Sim, meu amigo, quer você goste ou não, a vida é feita de escolhas. E não dá para perder tempo. O mundo muda muito rápido. Jiddu Krishnamurti, filósofo indiano, no seu livro “El arte de aprender juntos” (edição espanhola que alguém me pediu emprestado e nunca devolveu - e não encontrei edição traduzida para o português) se ainda me lembro, escreveu: “o novo pensamento só pode ser alcançado quando saímos do mundo que conhecemos, ou seja, quando nos livramos dos grilhões do passado, ainda que seja de vez em quando”. (A tradução do espanhol para o português é minha. Me desculpem os puristas). Ora, está claro que o que nos aprisiona, que nos mantem no “status quo”, que é o MEDO nosso carcereiro, é simplesmente nossa mente. Lembre-se, o MEDO vem de nosso passado, do que aprendemos com os mais velhos. Como disse o poeta francês Jacques Prévert, em: O CAMINHO RETO: “A cada quilômetro/ cada ano/ velhos muito limitados/ indicam às crianças o caminho/ com um gesto de cimento armado”. Portanto, para começar qualquer mudança, é preciso abrir a mente, ver e aceitar que a mudança é inexorável e tomar atitude. Fazer sua escolha. Já. Agora. Antes que seja tarde demais.
Pense nisso
e bons negócios prá nós.
Beto Buckmann (Nov./2018)




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