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AS CONSEQUÊNCIAS DA MUDANÇA

  • Carlos A. Buckmann
  • 30 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

AS CONSEQUÊNCIAS DA MUDANÇA

A Transformação da Pequena Farmácia.

            Há um instante, no silêncio entre uma consulta e outra, enquanto observava uma farmácia se reerguer sob novos alicerces, entendi:  a mudança não é um evento, é um estado de ser. Ela não chega como um terremoto, mas como uma erosão lenta, constante, inevitável. E quem não se transforma, se desfaz.

            A pequena farmácia, nesse mundo acelerado, está diante de um abismo: ou se reinventa, ou se torna memória. E nesse processo, não há neutralidade. Ou você é o vento, ou é a poeira.

            Immanuel Kant escreveu: “Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.”  É fácil culpar o mercado, os laboratórios, as grandes redes. Mas a verdade, dura e nua, é esta: ninguém salvará a pequena farmácia senão o próprio dono. Kant nos lembra que a transformação autêntica nasce do esforço interno, não de soluções prontas, nem de modismos digitais. Vi isso em Dona Eliane, farmacêutica de 61 anos. Ela não tinha tempo, não entendia tecnologia, “nunca foi de mudar”. Mas decidiu, por si só, aprender a usar um sistema de gestão. Estudou à noite, sozinha, com vídeos no YouTube. Hoje, sua farmácia tem relatórios automáticos, controle de vencimento por alerta e um programa de fidelidade com 1.200 clientes ativos. Ninguém a forçou. Foi o esforço dela. E foi ela quem moveu o mundo ao redor. Não teve MEDO DA MUDANÇA.

            Nesta questão de medo, lembro uma frase de Chico Buarque de Holanda: “Tememos as mudanças. Eu tenho medo de que as coisas nunca mudem.”

            Quantos empresários vivem nesse paradoxo? Temem o novo, um site, um app, um novo fornecedor, mas estão imersos na dor de um negócio que não cresce, que não rende, que os consome. O medo da mudança é antigo, humano. Mas o medo maior deveria ser a estagnação. Vi um dono de farmácia que, por cinco anos, recusou o delivery porque “não confiava em motoboy”. Perdeu 38% do seu público jovem. Quando finalmente implementou o serviço, percebeu que não era o motoboy que ele não confiava, era a si mesmo, sua capacidade de adaptar-se. Chico tem razão: o verdadeiro perigo não é o novo, mas a ilusão de que “tá tudo bem assim”.

            As mudanças não avisam. Chegam rápidas. Algumas como ventanias. Daí é preciso agir como escreveu Érico Veríssimo: “Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.”

            Este é o retrato exato do varejo farmacêutico hoje. Uns fecham as portas, aumentam os preços, proíbem o uso de cupons. Outros, como o Carlos, viram os mesmos ventos, a digitalização, a concorrência, a exigência do cliente, e os usaram para gerar energia. Ele integrou seu ERP ao iFood, criou um canal no “Telegram” com dicas de saúde e treinou sua equipe para vender serviços, não apenas produtos. Em seis meses, o faturamento subiu 41%. Ele não impediu o vento. Construiu um moinho.

            Não basta querer uma farmácia moderna se o dono ainda pensa como em 1995.  Como escreveu Mahatma Gandhi: “Temos de nos tornar na mudança que queremos ver”. Não adianta implantar um CRM se o atendimento continua frio, burocrático. A mudança começa no espelho. Vi um farmacêutico que queria “inovação”, mas tratava seus funcionários como descartáveis, não os ouvia, não os capacitava. Como exigir agilidade de uma equipe que vive em medo? Ele só avançou quando entendeu: para ter uma farmácia ágil, precisa ser um líder ágil. Para ter uma equipe engajada, precisa ser um gestor presente. Gandhi não falava de política, falava de coerência. E a transformação só é verdadeira quando o líder vira exemplo.

            “Uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança”, escreveu Maquiavel.  O frio realista, sabia: nada termina, tudo evolui. A implantação de um sistema de gestão não é o fim. É o começo. Quando uma farmácia finalmente entende o valor do estoque inteligente, logo descobre que precisa de marketing digital. Quando domina o digital, percebe que falta serviço. Quando oferece serviço, vê que precisa de dados. A mudança é uma escada infinita. Em uma loja que acompanho, após reduzirem os dias de estoque de 105 para 58, pensaram que haviam “chegado”. Mas o consultor perguntou: “E agora, o que vocês vão fazer com os R$ 52 mil que foram liberados?” Eles não tinham resposta. Maquiavel ensina: não há vitória final, apenas novos desafios.

            A pequena farmácia vive um tempo de consequências. 

            Cada decisão de hoje, ignorar dados, resistir à tecnologia, negligenciar a equipe, colherá amanhã o fruto da irrelevância. 

            E cada ato de coragem, aprender, delegar, inovar, plantará a semente de um futuro possível.

            Mas não se engane: a mudança não é opcional.  Ela já está acontecendo.  Nas grandes redes.  Nos apps de delivery.  Nos laboratórios que verticalizam.  Nos consumidores que exigem mais.

            A pergunta não é “se” mudar.  É “quem” será mudado.

            Você quer ser aquele que fecha as portas e reclama do mundo?  Ou aquele que, mesmo com poucos recursos, constrói um moinho com o que tem?

            A filosofia não salva farmácias.  Mas a coragem de mudar, sim.

            Levante-se.  O vento está soprando.  E o tempo de agir é agora.

 
 
 

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