ACASO É UMA PALAVRA SEM SENTIDO
- Carlos A. Buckmann
- 21 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Acaso É Uma Palavra Sem Sentido
“Casus”: é dessa palavra latina que nasce o termo “acaso”. Originalmente, em Roma, designava o “evento fortuito”, aquilo que cai do céu, como uma pedra solta do telhado, um encontro inesperado, uma perda súbita. Era o que não se podia prever: o imponderável, o azar ou a sorte desancorada da razão. Uma queda, um tropeço, um vento contrário.
Já “causa”, do latim “causa – causae”, tem raízes mais profundas e ambíguas. Inicialmente, significava “motivo”, “razão judicial”, mas também “pedido”, “pleito”. Com o tempo se criou o preceito de que não existNão há movimento sem impulso. Não há fumaça sem fogo. Não há consequência sem antecedente.
Foi nesse terreno gramatical e metafísico que Voltaire ergueu sua sentença definitiva: “O acaso é uma palavra sem sentido. Nada pode existir sem causa.” Para ele, atribuir algo ao acaso era apenas confessar ignorância sobre suas causas. Em tempos de superstição e dogmatismo, o filósofo iluminista ergueu a razão como tribunal supremo — e condenou o acaso à irrelevância.
Ainda hoje, o acaso é usado como desculpa. “Fui demitido por acaso.” “Conheci minha esposa por acaso.” “Perdi tudo na pandemia, foi o destino.” Voltaire sorriria com ironia. Porque nada surge do nada.
A demissão tem causas: conflitos, erros, falta de adaptação. O encontro amoroso? Circunstâncias sociais, culturais, geográficas. A perda na pandemia? Falta de planejamento, estoques frágeis, decisões anteriores.
No mundo dos negócios, o acaso é o aliado do amadorismo. Seu Antônio, dono de uma farmácia, viu o faturamento cair 22%. Diz que “foi o acaso”. Mas não atualizou o mix de produtos, não treinou a equipe, não investiu em tecnologia. O delivery demora, os preços estão altos, o estoque está obsoleto. A queda não foi acaso. Foi consequência.
Cada escolha é uma semente. E o jardim que floresce é o fruto do que foi plantado em silêncio. Como disse Schopenhauer: “O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.” Nossos desejos são moldados por causas anteriores, biográficas, sociais, psicológicas.
O acaso é a linguagem dos derrotados antes de tentar. É o refúgio dos que preferem a vítima ao protagonista. Voltaire acreditava na responsabilidade. Na coragem de dizer: “Eu causei isso. Portanto, posso mudar.”
Pare de falar em sorte. Comece a falar em causa. Pergunte: Qual foi a origem do meu problema? Que decisão antiga está me punindo hoje? O que posso fazer agora para gerar uma nova cadeia causal?
Porque se nada existe sem causa, tudo pode ser transformado por uma nova causa. Você não está preso ao acaso. Está diante de uma lei cósmica: para cada ação, há uma reação. E para cada presente insatisfatório, há um passado que pode ser compreendido, e um futuro que pode ser causado por você.
Levante. Pense. Decida.
E então, crie o efeito que você quer ver.




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