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A RODA DA FORTUNA HUMANA

  • Carlos A. Buckmann
  • 30 de dez. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 31 de dez. de 2024

A Roda da Fortuna Humana: Uma Crônica sobre Força e Fraqueza

"Tempos difíceis criam homens fortes; homens fortes criam bons tempos; bons tempos criam homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis." Essa frase, de autoria desconhecida, mas que ecoa pelos séculos, encapsula uma visão cíclica da história humana e da natureza do poder.

É como se a vida fosse uma roda gigante, onde subimos e descemos em um ritmo constante. Em tempos de crise, de guerra, de fome, o ser humano se vê obrigado a superar seus limites, a desenvolver uma resiliência que antes desconhecia. A adversidade forja o caráter, temperando-o como o aço no fogo. Daí a máxima: "Tempos difíceis criam homens fortes".

Com a chegada de tempos mais prósperos, esses homens fortes, agora líderes e construtores, moldam uma sociedade mais justa e equitativa. A paz, a abundância e a segurança geram uma sensação de bem-estar que, por vezes, pode levar à acomodação. A necessidade de lutar é substituída pela vontade de desfrutar, e a força interior pode dar lugar à fraqueza. É assim que "bons tempos criam homens fracos".

Mas a história nos mostra que esse ciclo é inevitável. A complacência, a corrupção e a falta de visão podem minar os alicerces de qualquer sociedade. A ausência de desafios e a perda do senso de propósito levam à decadência e ao surgimento de novos conflitos. A roda gira novamente, e "homens fracos criam tempos difíceis".

A ideia da ciclicidade da história, a noção de que a humanidade se move em ciclos de ascensão e queda, de progresso e declínio, é um tema que fascina filósofos e historiadores há séculos. Essa crônica, que relaciona tempos difíceis com a forja de homens fortes e bons tempos com a criação de homens fracos, procura capturar essa essência cíclica de maneira elegante.

Vamos então lembrar alguns exemplos históricos: A Roda Girando

Ao longo da história, encontramos inúmeros exemplos que corroboram essa visão cíclica. As civilizações antigas, como a Suméria, do Egito e  Romana, surgiram de pequenas comunidades, ascenderam a grandes impérios e, eventualmente, declinaram e caíram. Esse padrão se repete em diversas culturas e épocas, desde as civilizações maias e astecas até as grandes potências europeias.

A história dos romanos é um clássico exemplo desse ciclo. Iniciando como uma pequena cidade-estado, cuja história aprendi no meu primeiro livro didático de estudo do Latim, com Rômulo e Remo, os gêmeos criados e amamentados por uma loba e que (encurtando a lenda) depois de adulto, Rômulo fundou Roma. Roma conquistou vastos territórios e estabeleceu um império que dominou grande parte do mundo conhecido. No entanto, a corrupção, a decadência moral e as invasões bárbaras levaram ao seu declínio e eventual queda.

As revoluções francesas e russas são outros exemplos marcantes. Em ambos os casos, períodos de grande instabilidade e sofrimento foram seguidos por períodos de grande esperança e mudança. No entanto, as revoluções, por si só, não garantem um futuro próspero. A França e a Rússia, após suas revoluções, passaram por períodos de grande turbulência e, em alguns casos, voltaram a regimes autoritários.

E o que nos diz a lei do  Eterno Retorno e Dialética?

Filósofos como Nietzsche e Hegel ofereceram interpretações profundas sobre a natureza cíclica da história.

O Eterno Retorno de Nietzsche: Nietzsche propôs a ideia do eterno retorno, segundo a qual a história se repete infinitamente em um ciclo eterno. Cada momento, cada ação, cada pensamento, se repetirá infinitamente em um universo cíclico. Essa visão radical desafia a noção linear do tempo e nos convida a viver cada momento como se fosse o último, pois ele se repetirá infinitamente.

A Dialética de Hegel: Hegel, por sua vez, desenvolveu a teoria da dialética, segundo a qual a história avança através de um processo de tese, antítese e síntese. A tese representa uma ideia ou situação existente, a antítese é a negação dessa ideia e a síntese é a resolução do conflito entre as duas, dando origem a uma nova tese. Esse processo dialético impulsiona a história para frente, mas também sugere um caráter cíclico, pois a nova síntese se torna a nova tese, dando origem a um novo ciclo.

Então, a roda continua a girar.

A compreensão da ciclicidade da história não é apenas uma curiosidade intelectual, mas também uma ferramenta para entender o presente e construir um futuro melhor. Ao reconhecer os padrões que se repetem ao longo da história, podemos aprender com os erros do passado e evitar repeti-los. Podemos também identificar as oportunidades que surgem em cada novo ciclo e trabalhar para construir um futuro mais justo e equitativo.

Essa lógica cíclica nos convida a refletir sobre a importância da resiliência, da adaptação e da busca constante por um equilíbrio entre força e fraqueza. Afinal, a força sem sabedoria pode ser destrutiva, assim como a fraqueza sem esperança pode levar à paralisia.

É como diz o ditado popular: "Quem nunca caiu, nunca aprendeu a levantar." A vida é feita de altos e baixos, de sucessos e fracassos. O importante é saber lidar com as adversidades e celebrar as conquistas, sempre com a humildade necessária para reconhecer que a roda da fortuna continua girando e que, cedo ou tarde, todos nós estaremos sujeitos às suas leis implacáveis.

E lembremos que até mesmo os super-heróis precisam de um vilão para mostrar seus poderes. Se não tivéssemos os tempos difíceis para nos desafiar, como saberíamos que somos tão fortes?

O que você pensa a respeito?

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