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A REDENÇÃO DO ERRO

  • Carlos A. Buckmann
  • 12 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

A REDENÇÃO DO ERRO

Da Punição ao Despertar da Consciência

            Sobre minha publicação de ontem, um seguidor, um leitor atento das minhas digressões sobre a condição humana no cosmos corporativo, endereçou-me uma questão que, no fundo, transcende a mera técnica de RH:

            Como se opera a alquimia da transformação em uma empresa adoecida? 

            O problema, claro, residia na gestão de pessoas, mas a solução que busquei evocar reside na filosofia da existência do indivíduo no coletivo.

            Divido, então, a resposta em alguns tópicos de meditação.

O Erro como Gênese do Conhecimento

            Onde não há o sopro da segurança psicológica, o erro é tratado como um crime a ser expiado, não como o germe vital da aprendizagem. Neste ambiente sombrio, a falha é camuflada, o que inevitavelmente conduz à estagnação do ser. A minha intervenção não buscou a absolvição cega, mas a inauguração das "reuniões de autópsia sem culpa".

            A prática, em sua essência, é um ato de desvio metafísico. Deixamos de caçar o bode expiatório e voltamos o foco para a análise do sistema, o processo em si.

            O funcionário, que chamo de o "básico", aquele que se sente à margem da técnica, é convidado a confessar sua dificuldade sem o temor da guilhotina hierárquica. E o "proativo", o que detém a expertise, não o socorre de um púlpito superior, mas no mesmo plano da cooperação. Quebramos, assim, a informalidade opressora da casta.

A Quebra do Silêncio Organizacional: O Peso da Voz

            Observei o silêncio organizacional, esse muro invisível construído pela indiferença. Os colaboradores, em sua passividade operativa, apenas cumpriam tarefas, convencidos de que suas ideias eram meros ecos sem valor ou que o risco de proferir a verdade suplantava qualquer benefício. Era o medo, esse dreno existencial, consumindo a potência criativa.

            A solução foi pavimentar canais de voz direta, onde a "discordância construtiva" não fosse apenas tolerada, mas premiada. A implicação é profunda: quando o indivíduo percebe que sua voz tem peso (o desenvolvimento individual), ele ascende a um estado de responsabilidade ontológica pelo destino do grupo (o desenvolvimento de todos).

A Responsabilidade Dialógica e o Olhar do Líder

            A segurança psicológica não é um verniz de "ser legal"; é a mais pura forma de sinceridade radical. Naquela empresa, a névoa da ambiguidade, gerada pela falta de atenção genuína do sócio-diretor, criava uma zona de ansiedade paralisante.

            O passo seguinte foi estabelecer um contrato de expectativas claras, um pacto de transparência. O líder precisou descer de seu pedestal e "dar a face ao grupo", ouvir as frustrações em sessões que batizei de mediação filosófica. O resultado é a dissipação da ambiguidade. E sem essa sombra, o funcionário recupera a agência sobre seu próprio labor, reassumindo-se como sujeito.

A Empatia como Eixo da Potência Criativa

            A neurociência, essa aliada moderna da filosofia, apenas confirma o que Schopenhauer e tantos intuíram: o cérebro sob ameaça, o medo da demissão, a crítica destrutiva, é um órgão incapaz de criação. É a negação da “poíesis” (do grego, o ato de criar) no ambiente de trabalho.

            Minha prática foi educar a liderança na escuta ativa e na alfabetização emocional. O impacto é a validação do outro não como um mero recurso descartável, mas como um sujeito que carrega em si uma totalidade. O ambiente, então, se liberta de ser a "tecelagem opressora" de Engels e se transmuta em um laboratório de potências humanas.

Conclusão: A Síntese do Eu e do Nós

            A segurança psicológica é, portanto, a aplicação mais visceral e prática da tese que clama pelo livre desenvolvimento do cada um como condição para o livre desenvolvimento de todos. Se o indivíduo se sente seguro para se desenvolver e ousar errar, ele expande o horizonte de possibilidades da organização inteira, pois seu Eu se funde no Nós sem se dissolver.

            Sem essa fundação ética e psicológica, a empresa não passa de um conjunto de mônadas isoladas, no dizer de Leibniz operando sob o mesmo teto, mas perdidas em mundos existenciais distintos.

            É preciso cessar a fuga do autoconhecimento disfarçada de produtividade!

            O maior erro não é o fracasso técnico, mas a covardia de não assumir a própria humanidade no palco corporativo.

            O erro redimido é o capital intelectual mais valioso, pois ele carrega a marca da tentativa e o DNA da superação.

            Olhe para o seu processo, não para a sua falha, e encontre a coragem de ser quem você realmente é, transformando cada tropeço em degrau para a consciência coletiva.

            O despertar da sua voz é o princípio da revolução interna.

(Meu abraço ao Antônio, que me encaminhou o questionamento)

 

 
 
 

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