A MÃO INVISÍVEL NAS GÔNDOLAS DO VAREJO
- Carlos A. Buckmann
- 21 de jan. de 2025
- 4 min de leitura

A Mão Invisível nas Gôndolas do Varejo
"Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas sim da consideração que eles têm pelo próprio interesse." Essa célebre frase de Adam Smith, retirada de "A Riqueza das Nações", nos convida a uma reflexão profunda sobre os mecanismos que movem a economia, inclusive o movimentado mundo do varejo brasileiro.
Ao analisar a obra de Smith, percebemos que o autor defende a ideia de que a busca individual pelo lucro, guiada por uma "mão invisível", conduz ao bem-estar coletivo. No varejo, essa dinâmica se manifesta de forma clara. O lojista, ao buscar maximizar seus lucros, oferece produtos e serviços que atendem às necessidades dos consumidores. A competição entre os diversos estabelecimentos impulsiona a busca por preços mais competitivos, melhor qualidade e maior variedade de produtos, beneficiando, em última instância, o cliente.
No contexto do pequeno varejo brasileiro, as ideias de Smith são particularmente relevantes. O pequeno comerciante, muitas vezes, possui uma relação mais próxima com seus clientes, o que lhe permite identificar suas necessidades de forma mais precisa. Ao oferecer produtos e serviços personalizados, ele cria laços de fidelidade e fortalece seu negócio. Além disso, a flexibilidade e a capacidade de adaptação são características marcantes do pequeno varejista, que pode reagir rapidamente às mudanças do mercado.
É importante ressaltar que a "mão invisível" não é uma força mágica que resolve todos os problemas. Para que o mercado funcione de forma eficiente, é necessário um ambiente de concorrência justa, com regras claras e enforcement eficaz. No Brasil, a informalidade e a burocracia excessiva ainda representam desafios para o pequeno varejista, limitando seu potencial de crescimento.
A teoria de Smith, que guia os indivíduos em busca de seus próprios interesses, pode ser complementada pela ética, que orienta as ações dos agentes econômicos em direção ao bem comum. Um varejista ético, ao buscar o lucro, também contribui para o desenvolvimento da comunidade, gerando empregos, promovendo a concorrência e oferecendo produtos e serviços de qualidade.
A busca pelo lucro, tão enfatizada por Smith, não deve ser confundida com a ganância desenfreada. A ética nos negócios é fundamental para a construção de uma reputação sólida e duradoura. Um varejista que prioriza a honestidade, a transparência e o respeito ao consumidor tem muito mais chances de conquistar a confiança de seus clientes e fidelizá-los.
A ética se manifesta de diversas formas no varejo: na oferta de produtos de qualidade, na informação clara sobre preços e condições de pagamento, no atendimento cordial e eficiente, no respeito ao meio ambiente e na valorização dos colaboradores. Um varejista ético não apenas contribui para o bem-estar da sociedade, mas também fortalece sua marca e aumenta sua competitividade.
Precisamos lembrar também que "A Riqueza das Nações", nos apresenta um dos pilares da economia de mercado: A DIVISÃO DO TRABALHO. Essa ideia, quando aplicada ao varejo, revela-se como um poderoso motor de eficiência e produtividade. Ao dividir as tarefas em etapas menores e mais específicas, os processos se tornam mais ágeis e cada colaborador pode se especializar em uma determinada função.
Em um supermercado, por exemplo, a divisão do trabalho é evidente: temos caixas, empacotadores, repositor de mercadorias, açougueiros, padeiros e muitos outros profissionais. Cada um deles possui um conjunto de habilidades e conhecimentos específicos, o que permite que as operações sejam realizadas de forma mais rápida e precisa. Essa especialização também contribui para a melhoria da qualidade dos produtos e serviços oferecidos, pois cada colaborador pode se dedicar a aperfeiçoar suas técnicas.
Mesmo nas nossas farmácias, fica clara a melhoria da gestão quando se administra a divisão do trabalho, e de forma a melhorar a experiência do cliente. - Balcão: Atendimento direto ao cliente, dispensação de medicamentos, resolução de dúvidas e orientações sobre uso de medicamentos. - Caixa: Realização de pagamentos, emissão de notas fiscais e controle do fluxo de caixa. – Farmacêutico(a) - Oferecimento de serviços personalizados de orientação sobre medicamentos, acompanhamento de tratamentos e promoção da saúde. - Gestão de Estoque: Controle dos níveis de estoque, realização de pedidos, organização do armazenamento de medicamentos. - Compras: Negociação com fornecedores, emissão de pedidos e acompanhamento da entrega de produtos. - Financeiro: Controle das contas a pagar e a receber, elaboração de relatórios financeiros e gestão do orçamento.
O grande problema é que numa pequena loja de farmácia, 90% de todo esse trabalho está ao cargo desse pequeno empreendedor, que sequer encontra tempo para pensar nisso. Aí então está na hora de buscar ajuda de um consultor para organizar seu negócio e conseguir se desenvolver.
Como podemos constatar, a obra de Adam Smith continua sendo uma fonte de inspiração para todos aqueles que se interessam pelo funcionamento da economia. Ao compreender os princípios básicos do livre mercado, o pequeno varejista brasileiro pode tomar decisões mais estratégicas e aumentar sua competitividade. Afinal, como dizia o filósofo escocês, "É a troca que enriquece as nações".
Vale lembrar que, apesar da importância da busca pelo lucro, o varejo também é um espaço de relações humanas. Um sorriso no atendimento, uma palavra amiga ou uma simples dica podem fazer a diferença na experiência de compra do cliente. Afinal, como diz o ditado popular, "cliente satisfeito é cliente fiel" – e um cliente fiel é o maior bem que um comerciante pode ter!
E você, leitor, o que pensa sobre A MÃO INVISÍVEL e a importância da ética nos negócios? Compartilhe suas ideias nos comentários!




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