A MIRAGEM ESMERALDA: DESVENDANDO A GRAMA DO VIZINHO.
- Carlos A. Buckmann
- 2 de abr. de 2025
- 4 min de leitura

A MIRAGEM ESMERALDA: DESVENDANDO A GRAMA DO VIZINHO.
Vamos começar esclarecendo o seguinte: Isso não é uma aula sobre jardinagem nem sobre agronomia. Feito o esclarecimento, vamos ao assunto.
A velha máxima popular continua através de gerações: "A grama do vizinho é sempre mais verde". Sua origem, como muitas sabedorias populares, se perde nas brumas do tempo, provavelmente germinando da simples observação da natureza e da comparação entre o que é nosso e o que é do outro. Talvez um pastor, contemplando as pastagens além da cerca, as visse mais viçosas, ignorando os desafios e o trabalho árduo do vizinho para mantê-las assim. Ou quem sabe, um lavrador, cansado da sua própria colheita, idealizasse a abundância dos campos alheios.
Mas será que essa grama alheia é realmente mais verde? Ou seria essa percepção um truque da nossa mente, uma lente distorcida que amplia o que falta em nós e minimiza o que possuímos? A verdade é que, muitas vezes, a grama do vizinho parece mais verde porque a observamos de longe, sem sentir o sol inclemente que a castiga, a praga que a ameaça ou o esforço constante para irrigá-la e adubá-la. Nossa imaginação preenche as lacunas com idealizações, criando um cenário perfeito que raramente corresponde à realidade.
Se, em alguns casos, a grama do vizinho for de fato mais verde, por que isso acontece? A resposta reside, quase sempre, no cuidado e na atenção dedicados. Talvez o vizinho invista mais tempo e recursos no seu jardim, escolhendo as sementes certas, regando com regularidade, combatendo as ervas daninhas com diligência. A diferença, portanto, não está na natureza intrínseca da grama, mas sim no cultivo.
Essa dinâmica se manifesta claramente tanto na vida particular quanto no mundo dos negócios. Na esfera pessoal, quantas vezes invejamos a felicidade aparente do outro, o sucesso profissional, o relacionamento amoroso que nos parece perfeito? Esquecemos de observar as tempestades que essa pessoa enfrentou, as renúncias que fez, o trabalho constante para construir e manter aquilo que admiramos. Focamos na superfície reluzente, ignorando as raízes que sustentam aquela realidade.
E como cuidamos do nosso próprio "gramado" pessoal? Dedicamos tempo à nossa saúde física e mental? Investimos em nossos relacionamentos? Buscamos o autoconhecimento e o crescimento pessoal? Ou nos contentamos em observar a grama alheia, lamentando a palidez da nossa, sem sequer pegar na enxada?
No mundo dos negócios, a analogia é igualmente pertinente. Uma empresa que constantemente olha para o lado, invejando o sucesso do concorrente, sem analisar seus próprios processos, seus pontos fortes e fracos, corre o risco de se paralisar na imitação ou na frustração. A grama do concorrente pode parecer mais verde devido a investimentos estratégicos em inovação, um atendimento ao cliente impecável, uma cultura organizacional forte ou uma gestão eficiente.
Vejamos alguns exemplos: - Uma pequena loja de bairro que se queixa da clientela da grande rede vizinha, mas não investe em um atendimento personalizado, em um ambiente acolhedor ou em um marketing criativo para atrair e fidelizar seus clientes, está apenas contemplando a grama alheia sem cuidar da sua. - Por outro lado, uma startup que, em vez de se intimidar com os gigantes do mercado, foca em um nicho específico, oferece um produto ou serviço diferenciado e constrói uma comunidade engajada ao seu redor, está regando e adubando o seu próprio gramado, criando as condições para que ele floresça.
Empresas que se descuidam do seu "gramado" interno – seja negligenciando a qualidade dos seus produtos ou serviços, ignorando as necessidades dos seus colaboradores, ou deixando de inovar e se adaptar às mudanças do mercado – inevitavelmente verão a sua grama amarelar e perder o vigor. O caso de grandes empresas que outrora dominaram o mercado e perderam relevância por falta de visão e investimento em seu próprio negócio são inúmeros.
Em última análise, a reflexão sobre a grama do vizinho nos convida a um exercício de autoconsciência e ação. Em vez de nos perdermos na comparação e na inveja, deveríamos direcionar nosso olhar para o nosso próprio jardim. Quais são os nossos recursos? Quais são os nossos talentos? O que podemos fazer para nutrir e fortalecer o que já possuímos?
A grama mais verde não é uma miragem inatingível além da cerca. Ela é o resultado do nosso próprio esforço, da nossa dedicação e do nosso cuidado constante. Que possamos, então, deixar de contemplar passivamente a grama alheia e começar a cultivar com afinco a beleza única do nosso próprio jardim. Afinal, a verdadeira satisfação não reside em ter a grama mais verde do quarteirão, mas sim em apreciar o florescer daquilo que plantamos e cultivamos com as nossas próprias mãos.
Chegamos ao fim desta divagação gramínea. Se você chegou até aqui pensando que eu teria a receita secreta para ter a grama mais verde do universo, lamento informar que fui enganado pelas minhas próprias metáforas. A verdade é que, depois de tanta análise, a única certeza que me resta é que a minha grama, neste exato momento, provavelmente precisa ser cortada. E a do vizinho? Bem, essa continua sendo um mistério verdejante, talvez porque ele tenha um cortador de grama melhor que o meu, ou talvez porque ele simplesmente finja estar muito ocupado quando me vê com a máquina barulhenta em mãos. De qualquer forma, fica a lição: em vez de cobiçar o jardim alheio, que tal regar o seu com uma boa dose de bom humor? Garanto que as flores da alegria brotam mais rápido e com cores muito mais vibrantes! E se a grama do vizinho continuar parecendo mais verde? Ah, bem, talvez ele só tenha um filtro do Instagram melhor. E contra isso, meus amigos, não há adubo que dê jeito! Melhore os seus filtros.




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