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A INVENÇÃO DO IMPOSSÍVEL

  • Carlos A. Buckmann
  • 31 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

A INVENÇÃO DO IMPOSSÍVEL

A Filosofia do Empreendedorismo na Pequena Farmácia.

            Há uma cena em “Joy: O Nome do Sucesso”, que não consigo esquecer. Joy Mangano, mãe solteira, pés descalços no chão molhado da cozinha, apanha cacos de vidro com as mãos enquanto a água suja escorre entre os dedos. Ela não chora. Não grita. Apenas olha para o chão e, naquele instante, a dor vira ideia. Não é o conforto que gera inovação. É o desespero.  É o cansaço.  É o peso do dia a dia que, em vez de quebrar, acende.

            Assisti ao filme pela terceira vez e lembrei de uma pessoa que me chamou para uma consultoria. No nosso primeiro encontro, eu estava sentado esperando o proprietário terminar o fechamento do caixa. O lugar era pequeno, iluminação fraca, estoque mal organizado. O dono, Airton, 42 anos, farmacêutico formado há 18, vivia uma rotina de 14 horas diárias: atendia, comprava, contabilizava, entregava. Sua mulher havia pedido separação. “Não aguento mais viver dentro dessa loja”, disse.  E ali, naquele silêncio de fim de expediente, lembrei de Joy.

            Porque a pequena farmácia brasileira está cheia de “Joys” silenciosas, pessoas que limpam o chão com as mãos sujas, que sustentam famílias, que mantêm a saúde da comunidade no ombro, enquanto o sistema as ignora.

            Joy não era uma executiva de Wall Street. Era uma mulher comum, cercada por um mundo disfuncional: um pai divorciado e cínico, uma mãe refugiada na TV, um ex-marido que morava no porão, filhos pequenos que dependiam dela. Tudo conspirava para que ela desistisse. Mas ela não desistiu. Porque, como diz o filme, “nem todos os sonhos vêm de berço esplêndido. Alguns nascem no chão da cozinha.”

            Ali, no chão molhado, foi que ela inventou o Miracle Mop, um esfregão que podia ser torcido sem sujar as mãos. Uma solução simples, humana, nascida da dor. Mas o que o filme nos ensina não é apenas sobre a invenção, é sobre a coragem de acreditar que algo pequeno pode virar algo grande.

            Assim como Joy, muitos donos de farmácias têm dentro de si uma invenção adormecida.  Não é um esfregão.  É um serviço de adesão a tratamento.  É um programa de saúde para idosos.  É um delivery com atendimento farmacêutico personalizado.  É uma loja que vende bem-estar, não apenas medicamentos.

            Mas, como Joy, são cercados por forças que tentam sufocar a ideia: 

- O fornecedor que diz “isso não vende aqui”; - O funcionário que repete “sempre fizemos assim”; - O vizinho que ri: “Farmácia não é lugar de inovar”; - O próprio cansaço, que sussurra: “Desiste. Já deu.” 

            Joy enfrentou traições, falências, processos, homens em salas de reunião que a olhavam como se fosse uma intrusa. Mas ela seguiu. Porque sabia que o empreendedorismo não é um título, é um estado de alma. 

            Ela não esperou autorização.  Não pediu permissão.  Ela fez.

            Acompanhei uma farmacêutica chamada Simone. Trabalhava desde os 19 anos na farmácia do pai. Quando ele faleceu, herdou uma loja com dívidas, estoque vencido e zero de tecnologia. Os irmãos disseram: “Vende.” Ela disse: “Não.” 

            Começou pequeno: criou um grupo no WhatsApp para idosos do bairro, com lembrete de horário de remédios. Depois, passou a oferecer medição de pressão gratuita com cadastro de histórico. Depois, treinou uma funcionária para fazer acompanhamento de diabetes. Hoje, tem um programa de fidelidade com 850 pacientes, faturamento 60% maior e uma equipe que se sente parte de algo maior.  Simone não inventou um esfregão.  Mas inventou um novo jeito de ser farmácia.

            É isso que o filme nos ensina: o sucesso não começa com recursos. Começa com coragem. 

            Joy não tinha dinheiro.  Não tinha apoio.  Tinha apenas uma ideia, e a teimosia de acreditar nela. É exatamente isso que falta em tantas pequenas farmácias: a teimosia criativa. A recusa em aceitar que “é assim mesmo”.  A decisão de dizer: “Eu posso fazer diferente.”

            O mercado está difícil? Está.  As grandes redes dominam? Dominam.  Os laboratórios e distribuidoras ditam regras? Ditam. 

            Mas ainda há espaço para quem ousa olhar para o chão molhado e perguntar: “Como posso fazer isso melhor?”

            Porque o verdadeiro milagre não está no esfregão.  Está na mulher que, mesmo com tudo contra, decide que vai torcer o pano sem sujar as mãos.

            A pequena farmácia não precisa de heróis.  Precisa de “Joys”. De “Simones”.  De “Airtons” que, mesmo exaustos, decidem que o fim do expediente não é o fim do sonho.

            O sistema não vai mudar por você.  As grandes redes não vão desaparecer.  Mas você pode, e deve, inventar o seu Miracle Mop.

Não espere autorização...  Não peça licença.  Levante do chão.  Ponha as mãos na massa, mas, desta vez, com um novo instrumento.

            Porque o futuro da pequena farmácia não está nas prateleiras.  Está na mente daquele que se recusa a desistir.

            E se o mundo não acredita em você?  Ótimo.  Comece a acreditar por todos.

Afinal, como Joy diria: “O mundo pertence a quem tem a coragem de continuar.”

 
 
 

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