A IDADE MÉDIA É AGORA
- Carlos A. Buckmann
- 23 de nov. de 2019
- 3 min de leitura

Cansado de negociar as dívidas com juros progressivos com a Inglaterra e das sucatas de armas que a França enviava para manter sua revolução libertadora, SIMON BOLÍVAR mandou-lhes o seguinte recado: “Deixem-nos fazer tranquilos a nossa Idade Média”. O problema é que nunca nos deixaram e por isso, ainda vivemos na Idade Média, com a única e mais bárbara diferença, é que temos mais tecnologias para disseminar a barbárie.
Em toda a América Latina, onde nos incluímos como a nação que deveria ser líder continental, continuamos a nos degladiar pelo poder, na triste premissa popular de que “se hay gobierno, soy contra”, não importando se quem está no poder é de direita, esquerda ou de centro. Apenas é preciso tirar o poder de quem lá está. O bem da pátria que se lixe, pois poder é dinheiro. O bem do próximo que se exploda, o que importa é o dinheiro, o acúmulo dele.
Continuamos na luta medieval, onde o poder do crime e do tráfico mata tanto quanto as forças policiais e onde inocentes destas lutas fraticidas morrem por balas perdidas de todos os lados e por overdose de drogas. A diferença é que no lugar das espadas, punhais e venenos, usamos a tecnologia das redes sociais para disseminar o ódio.
Como na Idade Média, continuamos olhando apenas para nosso próprio umbigo, acreditando que o mundo gira em torno dele.
Tudo isso vale também para nossos negócios, onde focamos apenas no lucro, sem medir as consequências para a sociedade, para nosso bairro, para a comunidade em que vivemos. Claro que não sou inocente de pensar que nossas empresas podem viver sem lucro. Longe disso, precisamos, e muito, do bom lucro para sobrevivermos, mas com a certeza de que estamos construindo algo para um mundo melhor.
Será que vale a pena continuar pagando salários tão baixos e sonegando impostos? Ou você que está lendo pensa que isso não se pratica mais em nossas empresas, de todos os portes, pequenas, médias ou grandes?
Será que vale a pena usar de truques e esconder verdades para vender mais? Será que vale a pena produzir produtos onde a indústria faz ensaios para diminuir suas vidas úteis para continuar vendendo mais?
Sinceramente?!!!... NÃO SEI. – Só sei, que continuando assim, nunca sairemos da idade média. O Iluminismo não perdurou. A evolução não aconteceu.
O que sei e acredito, é que se não desviarmos o olhar do nosso umbigo e começarmos a pensar a sociedade como um todo, que precisa progredir para um mundo melhor, não sairemos da Idade Média.
Ih!... A essa altura tem gente desistindo de continuar lendo esse ensaio, me taxando de sonhador utópico. Paciência, pessoal, só mais um pouquinho.
A utopia é o sonho que todos buscamos até que se torne realidade.
Sei também que se não melhorarmos a educação e a cultura, não poderemos construir um mundo melhor. Gabriel Garcia Marques, Nobel de Literatura em 1982, com seu romance CEM ANOS DE SOLIDÃO, num discurso para militares colombianos em Santafé de Bogotá, em 12 de abril de 1996, encerrou sua fala dizendo: “Creio que a vida de todos nós seria melhor se cada um dos senhores levasse sempre um livro na mochila”.
O que precisamos é evoluir culturalmente para que tenhamos um mundo melhor e uma sociedade mais justa.
Minha esperança é que possa ser usada hoje a utopia do que disse Miguel de Cervantes e Saavedra: “Todas estas borrascas que acontecem conosco são sinais de que em breve haverá de serenar o tempo e haverá de nos acontecer bem as coisas, porque não é possível que o mal nem o bem sejam duráveis, e daqui segue-se que havendo durado muito o mal, o bem já estará perto”.
Pense nisso
e bons negócios prá nós.




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