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A FORÇA DE UMA IDEIA EM AÇÃO

  • Carlos A. Buckmann
  • 22 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

A FORÇA DE UMA IDEIA EM AÇÃO

            Ah, Chateaubriand... Um nome que evoca a melancolia elegante dos salões literários do século XIX, a pena deslizando sobre o papel à luz de velas, enquanto a Europa fervilhava em transformações. François-René, Visconde de Chateaubriand, nascido em Saint-Malo, Bretanha, em 1768, foi um escritor, político, diplomata e historiador francês de proeminente linhagem. Sua vida, marcada por turbulências revolucionárias e ascensão napoleônica, moldou sua visão de mundo e sua escrita, impregnada de um romantismo nostálgico e uma profunda análise da condição humana. Considerado um dos precursores do romantismo, sua obra transborda lirismo e reflexão. Além de ser um observador atento das transformações sociais de sua época, Chateaubriand era um visionário: sua escrita capturava os dilemas e as aspirações humanas, tornando-o imortal na literatura. A frase que inspira esta crônica reflete sua habilidade ímpar de traduzir a força dos ideais em palavras.

            A célebre frase, "NADA É MAIS FORTE DO QUE UMA IDEIA QUANDO CHEGOU O MOMENTO DE SUA REALIZAÇÃO", nasce com a força de uma verdade atemporal. Embora eu lembre a exata localização no seu livro “Essai sur les révolutions”, que deixei para trás em alguma biblioteca perdida em minhas mudanças pelo Brasil, é plausível imaginar que tal pensamento tenha germinado em meio às suas reflexões sobre os grandes movimentos da história, as revoluções que varreram o seu tempo, impulsionadas por ideias que, em dado momento, encontraram o terreno fértil para florescer. Talvez em seu exílio, contemplando a ascensão e queda de impérios, ou em meio aos debates acalorados nos círculos políticos que frequentava, a constatação da potência irresistível de uma ideia madura se tornou cristalina.

            Em nossa jornada pessoal, quantas vezes nos deparamos com intuições, vislumbres de algo que poderia ser, mas que permanecem latentes por não encontrarem o "momento"? Seja a ousadia de mudar de carreira, o ímpeto de iniciar um projeto há muito acalentado, ou a coragem de expressar um sentimento profundo, muitas vezes hesitamos, esperando por uma conjunção de fatores que nos pareçam favoráveis. Contudo, a força da ideia reside justamente em sua capacidade de moldar a realidade quando seu tempo chega. É como uma semente que aguarda a estação propícia para romper a terra e buscar a luz. A frase ressoa como um lembrete de que os sonhos humanos, quando amadurecidos pelo tempo e por circunstâncias favoráveis, tornam-se imparáveis. Quantas vezes nos sentimos presos pela dúvida, pela crítica alheia ou pelo medo de fracassar? A realização, contudo, surge quando estamos preparados — não apenas externamente, mas internamente — para abraçar as possibilidades. 

            No âmbito profissional, e particularmente na gestão de empresas, a máxima de Chateaubriand adquire uma relevância estratégica. Uma inovação disruptiva, uma nova abordagem de mercado, uma reestruturação interna ousada – todas nascem de uma ideia. Mas é somente quando essa ideia encontra o ambiente organizacional, o contexto econômico e a receptividade do público certos que sua verdadeira força se manifesta. Empresas que souberam identificar e aproveitar o "momento" de suas ideias transformaram setores inteiros. Pense na Apple, com a intuição de Steve Jobs sobre a convergência entre design e tecnologia intuitiva, ou na Amazon, que vislumbrou o potencial do comércio eletrônico muito antes de se tornar a norma.

            Outro exemplo é o movimento de transição energética e a ascensão das fontes renováveis. Há décadas, a energia solar e eólica enfrentava descrença e desafios técnicos. Hoje, impulsionadas pela conscientização ambiental e pelo avanço tecnológico, elas são protagonistas na matriz energética mundial. Empresas que apostaram nessas ideias precocemente superaram barreiras como altos custos e escassez de demanda e agora colhem os frutos de sua visão.

            Esses exemplos ilustram que o caminho da idealização à realização raramente é linear. Barreiras surgem: resistência interna à mudança, descrença do mercado, falta de recursos iniciais. No entanto, quando a ideia é robusta e o momento oportuno, essas dificuldades se tornam desafios a serem superados, e a energia da própria ideia impulsiona a busca por soluções criativas e a persistência necessária. A visão clara do objetivo final e a convicção no potencial da ideia atuam como um farol, guiando as ações e mobilizando os esforços.

            Assim, a frase de Chateaubriand nos convida a cultivar nossas ideias, a nutri-las com conhecimento e paixão, e a estarmos atentos aos sinais do tempo. Pois, quando o momento da realização finalmente chega, nada, absolutamente nada, pode deter a sua força avassaladora.

            Permitam-me uma pequena digressão. Essa força das ideias me faz lembrar daquele sujeito que teve a brilhante ideia de atravessar uma rua movimentada de olhos fechados, confiando plenamente no "momento" certo entre os carros. Bem, digamos que a força da ideia dele encontrou uma força ainda maior: a de um para-choque apressado. Moral da história? Mesmo as ideias mais fortes precisam de um mínimo de bom senso e, talvez, uma faixa de pedestres.

 

 

 
 
 

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