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A ESSÊNCIA DA LONGETIVIDADE

  • Carlos A. Buckmann
  • 8 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

A ESSÊNCIA DA LONGEVIDADE

            Em um Japão medieval, enquanto dinastias ascendiam e caíam, uma construtora nascia. Não qualquer construtora, mas uma que atravessaria séculos, resistindo a guerras, crises e transformações radicais no mercado. Era 578, e a Kongō Gumi dava seus primeiros passos na construção de templos budistas. Mais que uma empresa, tornou-se um símbolo de perseverança. Por 1.428 anos, soube exatamente quem era e qual era seu propósito.

            Pequenas empresas frequentemente se debatem com dilemas que parecem intransponíveis. Expandir ou especializar? Diversificar ou focar em um nicho? A história da Kongō Gumi nos ensina que a clareza de propósito e a escolha de um nicho bem definido podem ser os pilares da longevidade.

            Um nicho de mercado eficaz não é apenas uma segmentação qualquer, mas um espaço onde uma empresa pode se destacar, criar valor e construir uma base fiel de clientes. Vamos analisar algumas características essenciais para um nicho de sucesso: - O nicho precisa ter um público que busca ativamente soluções. Se ninguém tem interesse ou necessidade, o mercado não será sustentável. - Um bom nicho oferece espaço para atuação sem estar saturado por grandes players. Isso permite que pequenas empresas tenham vantagem competitiva. - O segmento escolhido deve ter potencial de lucro. Não adianta conquistar um público se ele não está disposto a pagar pelo que você oferece. - Negócios que prosperam em nichos geralmente têm fundadores apaixonados e com conhecimento profundo do setor. Isso agrega credibilidade e autenticidade. - O nicho deve permitir que sua empresa ofereça algo único, seja um serviço mais personalizado, um produto inovador ou uma abordagem distinta. - Um nicho muito restrito pode limitar o crescimento. É importante avaliar se há possibilidade de expansão sem perder a identidade. - Nichos bem-definidos costumam gerar comunidades engajadas. Clientes sentem que estão sendo atendidos de forma exclusiva e voltam por mais.

            Enquanto muitos empreendimentos sucumbem à tentação de diversificar sem estratégia, a Kongō Gumi compreendeu que sua força residia na tradição. Em vez de construir qualquer tipo de edificação, especializou-se em templos. Seu propósito era claro: preservar a cultura e a espiritualidade por meio da arquitetura. E foi essa especialização que garantiu sua relevância por mais de quatorze séculos.

            Grandes exemplos modernos reforçam essa lição. Pense na Rolex, que decidiu não disputar o mercado de relógios acessíveis, mas se consolidou como sinônimo de luxo e precisão. Ou na Lego, que enfrentou crises quando tentou expandir além de seus famosos blocos, mas encontrou o caminho de volta ao sucesso ao reafirmar sua identidade: criatividade e diversão por meio da construção. -  Outro ótimo exemplo é o mercado de cafés especiais. Enquanto o café tradicional tem concorrência de grandes marcas, empresas que focam em grãos premium, métodos artesanais e experiência sensorial conseguem criar um nicho lucrativo, fidelizando consumidores exigentes.

            Em Porto Alegre, RS, onde moro desde 1990, alguns restaurantes encontraram nichos especiais e alguns já existem há mais de um século: A lista tem o Gambrinus na frente (1889) instalado no Mercado Público, seguindo pelo Naval, também no Mercado (1906), Chalé da Praça XV (1911), Churrascaria Santo Antônio (1935) a primeira do Brasil neste setor, Tuim (1941),  e o Alfredo (1953). Todos encontraram seus nichos diferenciados: Especialidades, serviços diferenciados, fartura de pratos e outros tantos.

            Para pequenas empresas, a mensagem é clara: encontrar um nicho e um propósito sólido não significa limitar-se, mas sim garantir um diferencial duradouro. Seja um restaurante que se especializa em culinária local autêntica, uma loja que valoriza produtos artesanais, ou um profissional que oferece serviços altamente personalizados, o segredo está na identidade e na capacidade de oferecer algo único.

            Em 2006, a Kongō Gumi enfrentou dificuldades financeiras e foi adquirida pelo Takamatsu Construction Group, tornando-se uma subsidiária. Antes da aquisição, a empresa tinha cerca de 100 funcionários e um faturamento anual de 7,5 bilhões de ienes (aproximadamente 70 milhões de dólares em 2005). Apesar da mudança, a Kongō Gumi continua operando e preservando sua tradição na construção de templos budistas  e sua história permanece como um testemunho do poder da especialização e do propósito.

            Pequenas empresas podem não durar um milênio, mas com foco e paixão, podem trilhar caminhos sólidos, resistentes ao tempo e às adversidades.

            E você, que lição levará para o seu próprio negócio? -     Só não posso esperar 1428 anos para ver se você achou seu nicho.

 

 

 

 

 
 
 

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