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A ESCUTA DO INVISÍVEL

  • Carlos A. Buckmann
  • 18 de jan.
  • 3 min de leitura

A ESCUTA DO INVISÍVEL

            Depois de rirmos do abismo, o silêncio que se segue não é vazio; ele é grávido de possibilidades que a lógica, em sua arrogância geométrica, costuma ignorar.

             Vivemos em uma era, este nosso 2026 de dados e algoritmos, que tenta mapear cada milímetro do real. No entanto, todos nós já fomos atravessados por um lampejo, uma voz sem som ou uma coincidência tão precisa que a estatística parece um insulto,

            É o "SE" da Intuição: aquela fresta onde o mistério sussurra que o mundo é muito maior do que aquilo que conseguimos medir.

            A intuição é o "SE" que não espera pela prova para agir. É a inteligência do instinto.

            Henri Bergson, que já nos acompanhou no riso, diferenciava a inteligência da intuição. Para ele, a inteligência é uma ferramenta de corte, ela analisa as partes; mas a intuição é o que nos permite mergulhar no fluxo da vida, captando o todo sem precisar despedaçá-lo. O "SE" intuitivo nos pergunta:

            "E se o que eu sinto for mais real do que o que eu vejo?"

            Filosoficamente, este território é habitado por aqueles que entenderam que a razão tem fronteiras, mas o espírito, não.

            Blaise Pascal imortalizou a ideia de que "o coração tem razões que a própria razão desconhece". Esse não é um elogio ao sentimentalismo, mas um reconhecimento de uma forma superior de conhecimento, o "SE" que reconhece a verdade antes mesmo de o cérebro formular a frase.

            Carl Jung nos trouxe o conceito de Sincronicidade. Para Jung, existem eventos que se conectam não por causa e efeito, mas por significado. É o "SE" da coincidência significativa:

            "E se esse encontro inesperado, esse livro que caiu da estante ou esse sonho recorrente forem pontes para algo que minha consciência ainda não alcança?".

            A intuição é a subversão máxima contra o materialismo. Ela afirma que somos antenas captando frequências de um "Grande Outro" que não fala através de leis físicas, mas de símbolos e pressentimentos.

            Lembremos da história de Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial. Certa noite, após um jantar, ele se preparava para entrar em seu carro oficial quando, por um impulso inexplicável, um "SE" que gritou em sua nuca, ele não entrou pela porta de costume, mas deu a volta e sentou-se no lado oposto, algo que jamais fazia. Minutos depois, uma bomba explodiu perto do veículo, e a pressão do impacto teria sido fatal se ele estivesse em seu lugar habitual.

            Questionado depois sobre “por que mudara de lugar?” ele não tinha explicações lógicas; tinha apenas o "pressentimento de que algo o protegia". O mistério não se explica, ele se manifesta como um guardião silencioso da trajetória humana.

            Percebo que o perigo de um mundo sem o "SE" do mistério é o deserto do óbvio. Uma vida puramente explicada é uma vida desbotada. O mistério não é um problema a ser resolvido, mas uma realidade a ser vivida.

            A dialética da intuição nos coloca em um equilíbrio delicado: não podemos abandonar a razão sob o risco de cairmos no misticismo cego, mas não podemos abandonar o mistério sob o risco de nos tornarmos máquinas de processar fatos.

             O "SE" do invisível é o que mantém o encantamento do mundo. É ele que nos faz olhar para as estrelas ou para o fundo de uma xícara de café e sentir que, embora sejamos pequenos, fazemos parte de uma trama cujos fios ainda não conseguimos enxergar, mas cujos puxões sentimos no peito.

            Afinal, se tudo fosse explicável, não haveria espaço para a maravilha. E a maravilha é o único solo onde a alma realmente floresce.

 

 
 
 

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