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A DISCIPLINA DO ATOR

  • Carlos A. Buckmann
  • 27 de fev. de 2021
  • 2 min de leitura

A DISCIPLINA DO ATOR

- “Somente a morte do próprio ator justifica sua ausência no palco na hora do espetáculo”

Esta lição aprendi estudando Constantin Stanislavski (1863/1938), considerado a principal expressão do moderno teatro russo, enquanto por quatro anos participei do teatro universitário no decorrer de meu curso de letras, na saudosa FUNDAMES (Fundação Missioneira de Ensino Superior).

Nestes quatro anos de teatro, atuei em todas as áreas possíveis: ator, diretor, técnico de som e luz, assistente de direção, carregador e o que mais se apresentasse.

Disciplina e trabalho em equipe, persistência, dor, alegrias, comprometimento, foram lições aprendidas na teoria de Stanislavski e na prática do convívio diário com o grupo de teatro.

Na época em que trabalhei na região amazônica (década de 80) em uma distribuidora de petróleo, sofri um acidente que me perfurou o braço direito e destruiu totalmente o carro que eu dirigia. Socorrido, levado ao hospital, suturado o ferimento, contrariando às ordens médicas me dirigi ao escritório da empresa para cumprir a missão de final de mês, que era a cobrança dos créditos da companhia. Com a mão esquerda em telefone fixo (não existia celular), liguei para todos os clientes da minha área informando do ocorrido. Todos entenderam a situação e foram até ao escritório para saldar suas dívidas. O ator voltou ao palco e desempenhou seu papel.

Fui chamado, entre outras coisas, de louco. – Em seu ELOGIO DA LOUCURA, Erasmo de Rotterdam (1469-1536) escreveu: -“É uma grande sabedoria saber ser louco no momento certo...(...) ... – A tristeza mora no coração dos sábios e a alegria no coração dos loucos...” – Nunca me arrependi dessa espécie de loucura, embora muitas vezes não tenha obtido por isso reconhecimento ou recompensa. Mas nunca fiz isso em busca de reconhecimento ou recompensa. Quando vieram, foram bem vindas, quando faltaram, não fizeram falta.

Quando vejo alguém postergando algo que precisa ser feito, alegando falta de tempo ou lugar, ao invés de me irritar ou ficar contrariado, procuro mostrar e lembrar o que escreveu Richard Bach: -“There is no place like here, there is no time like now”- (Não existe lugar como aqui, não existe momento como agora) ou seja, se é para ser feito, aqui e agora é o momento.

Não podemos deixar passar o aqui e o agora. Eles não voltam. Se tem que ser feito, por que não aqui e agora? Todos nós somos atores e diretores de nossas próprias vidas e nosso lugar é no palco. O mesmo Richard Bach também escreveu: - “Eis um teste para saber se você terminou sua missão na terra: se você está vivo, ainda não terminou”.

Já aos setenta e cinco anos, continuo prezando essa maneira de viver. Às vezes, refletindo sobre minha idade, lembro o que escreveu Eduardo Galeano (1940-2015), autor de AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA, em seu “O LIVRO DOS ABRAÇOS”, quando encontrou na volta do exílio seu amigo Fernando Rodriguez e esse, em meio ao diálogo lhe disse: - “Não se deve passar dos setenta, porque senão você se vicia e não quer mais morrer”.

Sei lá se é vício ou não, mas ainda acredito que a única coisa que justifica a ausência do ator no palco é sua própria morte.

Pense nisso

e bons negócios prá nós.

(fevereiro de 2021, no agravamento da pandemia)



 
 
 

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