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A DANÇA INCESSANTE DA MUDANÇA: DARWIN NO MUNDO DOS NEGÓCIOS.

  • Carlos A. Buckmann
  • 1 de abr. de 2025
  • 5 min de leitura

A DANÇA INCESSANTE DA MUDANÇA: DARWIN NO MUNDO DOS NEGÓCIOS.

     Numa fria manhã de 12 de fevereiro de 1809, em Shrewsbury, Inglaterra, nascia Charles Robert Darwin, um naturalista cuja curiosidade insaciável e observação meticulosa transformariam para sempre nossa compreensão da vida. Filho de um médico abastado, Darwin inicialmente trilhou os caminhos da medicina e da teologia, mas seu verdadeiro chamado residia na exploração do mundo natural. Aos 22 anos, embarcou na lendária viagem de cinco anos a bordo do HMS Beagle, uma jornada que o levaria a terras distantes e o confrontaria com a rica diversidade da flora e da fauna, plantando as sementes de sua revolucionária teoria.

     A teoria da evolução por seleção natural, magistralmente detalhada em sua obra seminal "A Origem das Espécies" (1859), propunha que as espécies não eram entidades fixas e imutáveis, mas sim organismos em constante transformação ao longo de vastos períodos de tempo. Darwin observou que, dentro de uma população, existia uma variação natural entre os indivíduos. Alguns possuíam características que lhes conferiam uma ligeira vantagem em relação a outros em um determinado ambiente. Esses indivíduos "mais aptos" tinham maior probabilidade de sobreviver, reproduzir e transmitir suas características vantajosas para as gerações futuras. Ao longo de incontáveis gerações, esse processo de seleção natural levaria ao surgimento de novas espécies, adaptadas de forma cada vez mais precisa aos seus nichos ecológicos.

     A aplicação dessa teoria ao desenvolvimento da espécie humana é fascinante e, por vezes, controversa. - Partindo de ancestrais primatas, uma série de adaptações impulsionadas pela seleção natural moldou nossos predecessores. A postura ereta, o desenvolvimento do polegar opositor, o aumento da capacidade craniana e a complexificação do cérebro foram algumas das mudanças que permitiram a nossos ancestrais explorar novos ambientes, fabricar ferramentas, desenvolver a linguagem e, eventualmente, culminar no surgimento do Homo sapiens. A evolução não parou por aí. Dentro do Homo sapiens, variações sutis e a capacidade de aprender, inovar e transmitir conhecimento cultural levaram ao surgimento do “Homo sapiens sapiens”, o homem moderno, com sua capacidade de raciocínio abstrato, consciência e organização social complexa.

     Aí você me pergunta: Mas o que tudo isso tem a ver com o mundo dos negócios? - À primeira vista, a exuberância da natureza e a frieza do mercado parecem domínios distintos. No entanto, se observarmos com atenção, perceberemos que os princípios da evolução darwiniana permeiam o tecido do mundo empresarial.

     Para melhor entender essa situação, resolvi embarcar novamente em minha máquina do tempo e “viajar na maionese” para bater um papo com mestre Darwin, o que resultou nesse diálogo:

- EU: (Pensativo, olhando para o movimento da rua) Incrível como a ideia de sobrevivência do mais apto, tão presente na natureza, parece ecoar no implacável mundo dos negócios.

- DARWIN: (Surgindo em minha mente, com um sorriso enigmático) Meu caro Beto, a natureza é a mestra e o mundo dos negócios, um de seus muitos palcos. A luta pela existência, a variação e a seleção natural não se restringem ao reino biológico.

- EU: Quer dizer que as empresas também evoluem?

- DARWIN: Certamente. Assim como as espécies, as empresas surgem, competem por recursos – clientes, capital, talentos – e aquelas que melhor se adaptam às mudanças do ambiente, que oferecem algo de valor e inovam constantemente, são as que prosperam e sobrevivem. As outras... bem, as outras encontram seu nicho ou desaparecem.

- EU: Então, a inovação seria como a variação genética?

- DARWIN: Exatamente! Uma empresa que não inova, que não busca novas formas de atender às necessidades do mercado ou de otimizar seus processos, é como uma espécie sem variabilidade genética diante de uma mudança ambiental. Ela se torna vulnerável. As novas ideias, as novas tecnologias, os novos modelos de negócio são as mutações que podem conferir uma vantagem competitiva.

- EU: E a seleção natural, nesse contexto, seriam os clientes e o próprio mercado?

- DARWIN: Precisamente. Os clientes, com suas escolhas e preferências, atuam como a força seletiva. Eles favorecem os produtos e serviços que melhor atendem às suas necessidades, que oferecem o melhor valor. O mercado, com suas dinâmicas e transformações constantes, também seleciona as empresas capazes de se adaptar às novas regras do jogo.

- EU: Isso explica por que vemos tantas empresas surgirem e desaparecerem. É um processo contínuo de adaptação e eliminação.

- DARWIN: A mudança é a única constante, meu caro. No mundo natural, as espécies que não conseguem se adaptar a um novo predador, a uma mudança climática ou à escassez de recursos estão fadadas à extinção. No mundo dos negócios, a resistência à inovação, a falta de visão estratégica e a incapacidade de compreender as necessidades do cliente podem levar ao mesmo destino.

- EU: Então, para sobreviver e prosperar, uma empresa precisa estar em constante evolução, aprendendo, se adaptando e inovando?

- DARWIN: Essa é a essência da sobrevivência do mais apto em qualquer sistema dinâmico. Não se trata necessariamente do mais forte ou do maior, mas sim daquele que demonstra maior capacidade de adaptação e resposta às pressões do ambiente. Observe as empresas que lideram seus setores por anos. Elas não ficaram estáticas; elas se reinventaram continuamente.

- EU: É fascinante como sua teoria, concebida para explicar a diversidade da vida, encontra paralelos tão claros no mundo dos negócios. A busca por eficiência, a competição acirrada, a necessidade de inovação constante... tudo parece seguir os mesmos princípios da luta pela sobrevivência e da seleção natural.

- DARWIN: A natureza oferece lições valiosas para quem se dispõe a observar. A dança incessante da mudança é a força motriz da evolução, seja na floresta ou no mercado. Aqueles que compreendem essa dinâmica e a abraçam têm muito mais chances de prosperar na longa jornada.

     Depois desse bate-papo, minha máquina do tempo me trouxe automaticamente para meu computador e terminar essa crônica.

     Mas, convenhamos, se a seleção natural fosse aplicada ipsis litteris no escritório, teríamos uns quantos CEOs correndo atrás de estagiários mais rápidos e departamentos inteiros sendo "extintos" por não atingirem as metas trimestrais. Seria um pandemônio!

     Imaginemos uma reunião de diretoria: "Senhores, os resultados do último trimestre foram... digamos... subótimos. A seleção natural está batendo à nossa porta. Sugiro que os departamentos com menor taxa de 'reprodução' de lucros sejam enviados para uma ilha remota com recursos limitados para ver quem sobrevive." O RH entraria em colapso nervoso.

     E a inovação, essa "mutação genética" do mundo corporativo? - Às vezes parece mais um experimento maluco no laboratório de um cientista excêntrico. Quantas vezes vimos ideias "geniais" serem lançadas com fogos de artifício e, pouco tempo depois, sumirem como um dinossauro no cretáceo? A seleção natural, implacável, faz seu trabalho.

     Mas, sejamos honestos: - Ver empresas tentando se adaptar a modismos passageiros como um camaleão tentando se camuflar numa parede listrada é, no mínimo, divertido. Aquele aplicativo revolucionário que prometia mudar nossas vidas e hoje ocupa um canto esquecido na tela do celular? Vítima da seleção natural dos nossos polegares impacientes.

     E a competição? - Ah, a doce competição! - É como ver dois machos alfa (no caso, duas grandes corporações) disputando o território (o mercado), com direito a campanhas publicitárias agressivas e lançamentos de produtos "mais evoluídos" (nem sempre, sejamos sinceros). Quem oferece o melhor "canto de acasalamento" (a melhor proposta de valor) geralmente atrai a "fêmea" (o cliente).

     Da próxima vez que você estiver no meio de uma crise, de uma reestruturação ou vendo seu concorrente lançar algo "inovador" (que talvez não seja), lembre-se de Darwin. Lembre-se que a mudança é a lei da vida (e dos negócios). E, acima de tudo, lembre-se de rir um pouco do caos. Porque, no final das contas, todos nós estamos apenas tentando sobreviver e, quem sabe, deixar uma "prole" lucrativa para as próximas gerações. E se falharmos? Bem, sempre podemos virar um estudo de caso sobre "a extinção de uma espécie empresarial". Com direito a um obituário bem-humorado na revista do setor.

 

 

 
 
 

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