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A CORRENTE DO BEM

  • Carlos A. Buckmann
  • 3 de abr. de 2025
  • 6 min de leitura

A CORRENTE DO BEM: Um Elo de Esperança em um Mundo Cínico.

     Dirigido por Mimi Leder e lançado em 2000, o filme "A Corrente do Bem" (Pay It Forward) nos apresenta um elenco cativante liderado por Haley Joel Osment, no papel do jovem e idealista Trevor McKinney. Helen Hunt interpreta sua mãe, Arlene McKinney, uma mulher lutadora com seus próprios demônios, e Kevin Spacey vive Eugene Simonet, o professor de estudos sociais com um passado marcado por cicatrizes físicas e emocionais. Juntos, eles dão vida a uma história que, mesmo após mais de duas décadas, continua a ressoar com uma pungente urgência.

     A trama se inicia quando o professor Simonet desafia seus alunos a pensarem em uma ideia que possa mudar o mundo e colocá-la em prática. Trevor, com sua mente infantilmente brilhante e um coração puro, concebe um projeto simples, mas radical: em vez de retribuir um favor recebido diretamente à pessoa que o fez, o indivíduo deve "passá-lo adiante" a três outras pessoas necessitadas. Cada uma dessas três pessoas, por sua vez, deve fazer o mesmo, criando uma corrente exponencial de atos de bondade. O filme acompanha os primeiros passos hesitantes e, por vezes, surpreendentes dessa corrente, mostrando o impacto transformador que pequenos gestos podem ter na vida de estranhos. Vemos pessoas sendo ajudadas a sair de situações de vulnerabilidade, vícios sendo combatidos e até mesmo laços familiares sendo reconstruídos, tudo impulsionado pela singela ideia de um garoto.

     Ao confrontarmos o enredo de "A Corrente do Bem" com a realidade da sociedade atual, somos inevitavelmente atingidos por um misto de esperança e ceticismo. Nosso mundo frequentemente marcado pela polarização, pela individualidade exacerbada e pela busca incessante por vantagens pessoais, a ideia de uma corrente de favores desinteressados parece quase utópica. Notícias de corrupção, violência e indiferença parecem ecoar mais alto do que os relatos de atos de bondade anônimos. No entanto, se observarmos com atenção, lampejos da "corrente" de Trevor podem ser encontrados em iniciativas de voluntariado, em redes de apoio mútuo e em pequenos gestos de solidariedade que, embora muitas vezes não ganhem manchetes, sustentam a humanidade em meio ao caos.

     A mudança do "status quo" para um mundo melhor, como imaginado por Trevor, passa inevitavelmente pela quebra do ciclo de individualismo e pela promoção da empatia. Seria necessário um despertar coletivo para a interconexão de nossas ações, compreendendo que o bem-estar do outro impacta diretamente o nosso próprio. A educação desempenha um papel crucial nesse processo, incentivando desde cedo a reflexão sobre a responsabilidade social e o poder da colaboração. Pequenas ações cotidianas, como oferecer ajuda a um desconhecido, ser gentil com um atendente ou dedicar tempo a uma causa social, são as engrenagens que podem impulsionar essa mudança.

     Minhas crônicas sempre buscam trazer ideias para o mundo da gestão empresarial, principalmente das pequenas e médias empresas, que sempre são as mais carentes de ajuda externa. Então, vamos lá fazer essa conexão.

     Essa relação de cuidado e generosidade é fundamental na vida em sociedade, pois constrói um tecido social mais forte e resiliente. No mundo dos negócios, a lógica puramente transacional e competitiva pode ser complementada por uma visão mais humanizada, onde a ética, a responsabilidade social e a preocupação com o impacto das ações na comunidade se tornam valores centrais. Empresas que cultivam um ambiente de trabalho colaborativo, que se engajam em projetos sociais e que priorizam o bem-estar de seus stakeholders tendem a construir uma reputação mais sólida e a atrair talentos e consumidores que compartilham desses valores.

     Interiorizar as ideias de "A Corrente do Bem" no dia a dia de uma empresa requer um esforço consciente e estratégico, permeando a cultura organizacional e as práticas de gestão. Não se trata apenas de implementar ações isoladas, mas de criar um ambiente onde a empatia, a colaboração e a responsabilidade social sejam valores intrínsecos.

Vou deixar a seguir, algumas ideias para nossos gestores. Mas calma, você não precisa tentar aplicar todas de uma só vez. Lembre-se da “Ética a Nicômaco”, de Aristóteles: Nem o máximo, nem o mínimo. A verdade e a justiça estão no meio e não nos extremos. Comece aplicando o que é possível. O impossível virá por si mesmo. 

- A liderança precisa ser a primeira a abraçar os princípios da "Corrente do Bem", demonstrando em suas ações e decisões o valor da colaboração, da ética e da preocupação com o impacto social.

- A empresa deve definir e comunicar claramente valores que reflitam a ideia de "passar adiante", como generosidade, colaboração, responsabilidade social, empatia e respeito. Esses valores devem ser mais do que palavras em um quadro, sendo integrados em todas as políticas e processos.

- Criar programas onde os colaboradores possam se ajudar mutuamente, compartilhando conhecimentos e experiências. Isso fortalece os laços interpessoais e promove um senso de comunidade.

- Desenvolver atividades que coloquem os colaboradores no lugar do outro, incentivando a compreensão de diferentes perspectivas e necessidades.

- Garantir que os colaboradores se sintam à vontade para expressar suas opiniões, preocupações e necessidades, criando um ambiente de confiança e escuta ativa.

- Promover projetos que envolvam diferentes áreas da empresa, incentivando a troca de conhecimentos e a colaboração para alcançar objetivos comuns.

- Celebrar não apenas os resultados individuais, mas também as conquistas das equipes, valorizando o trabalho em conjunto e a ajuda mútua.

- Criar espaços onde os colaboradores possam compartilhar ideias para melhorias, inovações e soluções de problemas, fomentando um senso de pertencimento e contribuição

- Incentivar e facilitar a participação dos colaboradores em atividades de voluntariado em suas comunidades, oferecendo tempo livre remunerado ou apoio logístico.

- Estabelecer parcerias com ONGs e outras instituições que trabalham em causas alinhadas aos valores da empresa, oferecendo apoio financeiro, recursos ou expertise.

- Adotar práticas de negócios que minimizem o impacto ambiental e promovam a ética em todas as relações com clientes, fornecedores e a comunidade em geral.

- Estimular os colaboradores a realizarem pequenos atos de gentileza e apoio uns aos outros no dia a dia, reconhecendo e celebrando essas iniciativas. Isso pode ser feito através de murais de reconhecimento, plataformas online ou simplesmente através da cultura de reconhecimento informal.

- Incorporar os valores da colaboração, da ética e da responsabilidade social nos critérios de avaliação de desempenho, reconhecendo e recompensando os colaboradores que demonstram esses comportamentos.

- Criar programas que celebrem os colaboradores que se destacam por sua generosidade, por ajudar os colegas e por se engajarem em iniciativas de impacto social.

- Além de bônus e promoções, considerar recompensas não monetárias que valorizem a colaboração e o bem-estar, como folgas extras para voluntariado ou oportunidades de desenvolvimento em áreas de interesse social

- Oferecer workshops e treinamentos que abordem temas como empatia, comunicação eficaz, resolução de conflitos e responsabilidade social.

- Promover espaços para que os colaboradores possam discutir os valores da empresa e refletir sobre como eles se manifestam no dia a dia.

- Monitorar e avaliar o impacto das iniciativas de "passar adiante" dentro e fora da empresa, ajustando as estratégias conforme necessário e comunicando os resultados aos colaboradores.

     Ao integrar essas práticas de forma consistente e genuína, as empresas podem criar uma cultura onde a "Corrente do Bem" se torna uma parte natural do seu funcionamento, gerando benefícios não apenas para a sociedade, mas também para o engajamento, a motivação e a reputação da própria organização.

     Então, vá com calma. De novo: UM PASSO DE CADA VEZ. Veja o que aconteceu no final do filme para não errar na dosimetria de sua gestão estratégica.

     O fim trágico de Trevor, ironicamente vítima da violência que sua corrente buscava combater, pode ter um impacto profundo na realidade da sociedade atual. Ele nos lembra da fragilidade da bondade em um mundo ainda permeado pela brutalidade e pela intolerância. A morte de Trevor não invalida sua ideia, mas serve como um alerta sobre a persistência dos desafios e a necessidade de um esforço contínuo para propagar a positividade. A comoção gerada por sua morte no filme demonstra o quanto a esperança personificada em uma criança pode tocar os corações e inspirar à ação.

     Para que a "utopia" da mensagem do filme se torne realidade, é preciso internalizar a ideia de que a mudança começa em cada um de nós. Não se trata de esperar por grandes líderes ou soluções mágicas, mas sim de assumir a responsabilidade por nossas próprias ações e escolhas.

    Podemos começar praticando a escuta ativa, buscando compreender as necessidades dos outros, oferecendo ajuda desinteressadamente e combatendo a indiferença. A disseminação de histórias de bondade, o apoio a iniciativas sociais e a cobrança por um comportamento ético em todas as esferas da vida são formas de manter viva a chama da esperança acesa por Trevor. A "Corrente do Bem" nos convida a acreditar no poder transformador da generosidade e a nos tornarmos agentes ativos na construção de um mundo mais justo e compassivo, um ato de bondade por vez.

Você só precisa fazer a sua parte.

 

 
 
 

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