A CONTABILIDADE NAS EMPRESAS DO SIMPLES NACIONAL
- Carlos A. Buckmann
- 24 de jan. de 2019
- 3 min de leitura

Já há algum tempo tenho pensado em incluir nos meus “Ensaios sobre gestão de pequenas e médias empresas” (vide meu blogue), uma análise sobre o que ocorre com a grande maioria delas, que por força de lei, integram o sistema do Simples Nacional. No entanto, vinha adiando essa publicação, para evitar de mexer num verdadeiro “vespeiro”.
Diante do agravamento da situação, que no último ano levou ao fechamento de diversas lojas de farmácias independentes, resolvi “mandar às favas” o receio de melindrar alguns profissionais e expor o que avalio a respeito.
As farmácias independentes (as que não integram nenhum associativismo, franquia ou licenciamento de marca) por uma questão de “praticidade”, em quase sua totalidade, são integrantes do sistema do Simples Nacional. (Ainda não conheci nenhuma que não fosse).
Este sistema criado pelo governo com a intenção de desburocratizar o recolhimento de tributos e “facilitar” a vida dos pequenos empresários, tem escondidas em seu bojo, algumas “armadilhas” que, se não levadas a uma análise mais profunda, pode levar a falência estas pequenas empresas. – Numa apreciação superficial, destacamos:
- Recolhimento de tributos de forma incorreta, que pode ser maior ou menor do que o valor realmente devido;
- Falta de controle da real situação financeira e econômica da empresa.
- Falta de análise para enquadramento, ou não, para “Lucro Presumido” ou “Lucro Real”, que embora mais trabalhosos, podem diminuir os valores de tributos devidos.
E por que isso normalmente ocorre?
Na busca de diminuir suas despesas, o primeiro erro destes pequenos empresários é contratar os serviços de um contador mais barato, achando que por pagar menos a esses profissionais estão ganhando dinheiro. Daí, quando a “corda aperta”, descobrem que o barato sai caro.
Estes profissionais “mais baratos”, para se sustentarem precisam aumentar a quantidade de clientes para compensar o baixo preço que cobram. Com o aumento da quantidade de clientes, (me perdoem os profissionais que são exceção e que sei que existem), esses “mais baratos” se limitam a prestar serviços mínimos: preenchimento das guias para recolhimento dos tributos e elaboração (quando fazem) da folha de pagamento. Saliento que não existe ilegalidade neste tipo de serviço, apenas a aplicação da lei do menor esforço.
Por sua vez, os pequenos empresários que fazem essa opção do mais barato, não têm as ferramentas necessárias para a gestão de suas empresas.
Alguns reclamam do valor dos impostos que pagam mensalmente e não têm como mensurar se o que recolhem é o realmente devido. Tenho constatado que muitos estão pagando a mais, o que já deixa de ser barato o custo do contador. Alguns estão recolhendo a menos, o que, mais cedo ou mais tarde, será cobrado com multas e juros pela fiscalização. Vale a pena correr esse risco?
A situação se agrava, porque não recebem mensalmente um balancete contábil ou um DRE, para saberem o porquê de seu sufoco mensal. Esses empresários nunca foram alertados para o “ponto de equilíbrio” de seu empreendimento. Não sabem onde estão os “gargalos” que afetam seus ganhos. Não sabem se a produtividade de sua equipe paga seus custos. Sabem que “o sapato aperta”, mas não sabem onde.
Mesmo que a empresa seja participante do Simples Nacional, é necessário o controle econômico e financeiro, sob pena de mais cedo ou mais tarde, ir para a vala comum das falências por falta de administração.
Não existe negócio sem risco. O risco é inerente a todo negócio, mas é possível minimizá-lo com uma boa gestão. A gestão só é possível com o domínio das informações necessárias para isso.
Gestão precisa de números e controles.
Pense nisso e
Bons negócios prá nós.




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